É falsa a informação de que a prorrogação da votação até as 19h garantiu 2 milhões de votos a mais para Lula na Bahia. Dados oficiais do TSE e levantamentos da imprensa apontam que apenas cerca de 35 mil votos foram registrados em todo o Brasil após as 17h, representando 0,03% do total. O presidente do TSE, Nunes Marques, confirmou que a decisão do ministro Cristiano Zanin não causou impactos na totalização. Lula foi reeleito superando Flávio Bolsonaro por uma margem de 4,4 milhões de votos.
O que estão compartilhando: que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar o horário da votação até as 19h no segundo turno de 2026 "conseguiu 2 milhões de votos a mais" para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. Levantamentos feitos pela imprensa apontam que cerca de 35 mil votos foram registrados após as 17h. Lula venceu o segundo turno das eleições com uma diferença de 4,4 milhões de votos em relação ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Ainda no domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que a prorrogação do prazo de fechamento das urnas não provocou "nenhuma alteração" na totalização dos votos.
O Verifica procurou o deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (PL-PR), autor da publicação analisada, mas não recebeu retorno.
Saiba mais: A publicação com a alegação falsa acumulou mais de 300 mil visualizações e 16 mil curtidas no X.
Um levantamento feito pelo g1 apontou que, após as 17h do domingo, apenas 35.521 votos foram registrados em todo o País. Já uma análise da Folha calculou que 34.330 votos, ou 0,03% do total, foram registrados depois do horário. O número também aparece em verificação feita pela CNN.
Os dados foram acessados com base nos logs das urnas eletrônicas, disponibilizados pelo TSE. Os documentos registram eventos dos equipamentos, como os horários das votações. Não há informações sobre quantos votos cada candidato recebeu nestes arquivos.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos (64.256.232), contra 48,21% (59.826.041) do senador Flávio Bolsonaro. A diferença entre os candidatos foi de 3,58%, ou 4.430.191 votos a mais para o petista.
Na Bahia, Estado citado pela publicação falsa, Lula venceu com uma diferença significativa, recebendo 71,31% dos votos (6.485.258), enquanto Flávio teve 28,69% (2.608.761). A diferença entre os dois candidatos no Estado foi de 3.876.497 de votos.
No primeiro turno, na Bahia, Lula teve 66,17% dos votos (5.664.771), e Flávio, 28,53% (2.442.585). A abstenção no Estado caiu de 19,97% para 16,71%, entre os dois turnos.
Decisão de prorrogação do horário da votação
Zanin decidiu prorrogar o encerramento do horário de votação até as 19h após um pedido da coligação do PT, que denunciou problemas na oferta de transporte público em várias cidades do País.
O pedido foi enviado ao STF pela campanha de Lula porque o TSE não tomou uma decisão em relação à solicitação. Na corte, Zanin foi sorteado como relator da ação.
A campanha de Flávio Bolsonaro também pediu ao TSE o adiamento do horário de encerramento em Estados do Sul e Sudeste, devido aos alertas de inundações e chuvas no fim de semana.
A medida que estendeu a votação por duas horas foi assinada por Zanin às 17h01, um minuto após o fim das eleições. Na sequência, o presidente do TSE, Nunes Marques, seguiu a decisão do colega magistrado e orientou que as seções que estivessem abertas permanecessem em funcionamento até as 19h.
A decisão encontrou um obstáculo técnico nas seções eleitorais, porque urnas eletrônicas já haviam iniciado os procedimentos de encerramento quando a determinação começou a ser comunicada. Depois que a urna é fechada, não é possível abrir novamente a votação.
Depois da vitória de Lula, Flávio declarou que não reconhecia o resultado do pleito devido à "canetada" de Zanin para prorrogar o horário do pleito. Especialistas afirmam que a decisão do ministro não é motivo para anular a eleição.
Em uma coletiva de imprensa ainda no domingo, Nunes Marques esclareceu que a prorrogação no fechamento das urnas não causou problemas na totalização dos votos. "Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos", afirmou. "Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial." A declaração pode ser consultada na transmissão da TV Senado.