Debate 'medíocre': como a imprensa francesa viu o primeiro confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro

A reta final da eleição presidencial no Brasil tem sido marcada por polêmicas que transcendem as fronteiras nacionais, chamando a atenção da imprensa internacional. Para jornais franceses como Libération, Le Figaro e Le Monde, que analisam o primeiro debate entre os dois candidatos ao segundo turno da eleição presidencial, o país enfrenta não apenas uma escolha entre projetos políticos, mas um teste de maturidade democrática em meio a um clima de radicalização e desconfiança.

20 out 2026 - 13h46
Resumo
A imprensa francesa destacou o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, classificando-o como vulgar e medíocre pelo Libération, com foco na agressividade do candidato da extrema direita. O Le Figaro apontou o escândalo do Banco Master como elemento central da disputa, envolvendo tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto Flávio Bolsonaro em suspeitas de corrupção. Já o Le Monde retratou a força eleitoral bolsonarista no agronegócio e o risco de retrocessos ambientais caso ele vença.

"Um segundo turno que se transforma em uma luta de boxe", diz o título de uma matéria do jornal francês Libération. A correspondente do diário em São Paulo, Chantal Rayes, entrevistou especialistas em política brasileira para analisar o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro no domingo (18). Segundo o texto, o encontro entre os dois candidatos foi marcado por uma mediocridade preocupante e por uma imensa vulgaridade.

A matéria aponta que, a poucos dias do segundo turno, os eleitores pouco aprenderam sobre os programas dos dois candidatos. A publicação reproduz declarações de Flávio Bolsonaro, consideradas chocantes para um presidenciável, e lembra ainda sua falta de decoro durante o debate, ao perseguir Lula pelo estúdio na tentativa de se impor fisicamente, cena apontada como símbolo de sua radicalidade.

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"No Brasil, a corrupção paira sobre o duelo Lula-Bolsonaro" é o título de uma matéria do jornal Le Figaro. A correspondente do diário no Brasil, Eleonore Hughes, escreve que, desde a eclosão do caso do Banco Master, o Brasil vive um ritmo de reviravoltas dignas de uma telenovela.

No centro da indignação provocada pelo escândalo está o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, responsável pelo processo contra Jair Bolsonaro, relata o jornal francês. Considerado um herói pela esquerda devido ao seu papel na condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022 para Lula, o magistrado agora é alvo de suspeitas de ter mantido relações próximas com Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, figura controversa apontada como responsável por uma fraude de mais de R$ 12 bilhões, detalha o diário.

No discurso de um comício realizado em 7 de setembro, Flávio Bolsonaro defendeu que quem vota em Lula vota em Moraes, uma ideia que se espalhou rapidamente entre seus apoiadores. "No entanto, Flávio Bolsonaro também está envolvido no caso Banco Master", diz Le Figaro. Inicialmente, ele negou qualquer ligação com Vorcaro, mas acabou reconhecendo - após a divulgação de mensagens de áudio - ter solicitado a ele cerca de R$ 134 milhões. "Uma investigação da Polícia Federal levanta suspeitas contra ele por corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal", reitera a matéria.

Le Monde visita Camboriú, "cidade vitrine do sonho bolsonarista"

Já o jornal Le Monde traz duas matérias de sua correspondente no Brasil, Anne-Dominique Correa, que foi até Balneário Camboriú, "cidade vitrine do sonho bolsonarista", diz o título de uma das reportagens. "No estado de Santa Catarina, esta cidade litorânea e suas altas torres de concreto foram erguidas com a fortuna de empresários do agronegócio", diz o texto, lembrando que este é um setor importante para a extrema direita, nesta cidade que deu a Flávio Bolsonaro 70% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial, no dia 4 de outubro.

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Encorajado pelo agronegócio, o candidato ultraconservador promete restringir a demarcação de novas terras indígenas, incentivar a produção de agrotóxicos e a exploração mineral, de petróleo e gás, afirma Le Monde em outra matéria, apontando que a perspectiva de um retorno da extrema direita suscita o temor de novos retrocessos para o meio ambiente.

Em entrevista ao Le Monde, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirma não ter dúvidas de que Flávio Bolsonaro se alinha ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino Javier Milei, adotando uma postura cética em relação às mudanças climáticas e hostil ao Acordo de Paris e às metas de redução do desmatamento e das emissões de CO₂.

Com o Congresso dominado pela extrema direita, a ex-ministra explica que, se eleito, Flávio Bolsonaro conseguirá reunir facilmente uma maioria para promover reformas que seu pai não conseguiu implementar, de forma a "alterar as leis que regem a demarcação de terras indígenas, a criação de áreas protegidas e os crimes ambientais".

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