Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian
A cúpula, presidida este ano pela França, encerra-se na tarde desta quarta-feira (17). O Brasil, ao lado de Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, não faz parte do grupo, mas participa como país convidado. Nesta condição, o governo brasileiro esteve presente em uma série de negociações preliminares ao evento, ao longo do ano, e agora tem a liberdade de endossar ou não os textos finais decididos pelos membros plenos do G7: Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá.
Até o momento, seis documentos já foram revelados: sobre as questões geopolíticas da atualidade, a renovação das parcerias internacionais, o combate ao câncer, ao ebola, ao tráfico de drogas e de migrantes. Destes, o governo brasileiro apoiou apenas o de combate ao câncer e ao tráfico de drogas.
Brasília deve, ainda, endossar as conclusões sobre a proteção de menores na esfera digital, documento que ainda está em preparação e será o tema da última sessão de debates da cúpula. A sessão terá a presença de cerca de 10 CEOs de grandes empresas de tecnologia, como Sam Altman, da Open AI.
França acomodou visão americana nos textos
O Brasil não é o único convidado a se abster de assinar as declarações finais da cúpula. Os demais países do sul global também não aprovaram a maioria dos textos, com os quais apenas a Coreia do Sul concordou. Conforme um integrante da delegação brasileira, os documentos refletem o desejo da presidência francesa de evitar que, como ocorreu em 2025, Donald Trump deixasse o evento antes do fim ou bloqueasse os documentos.
Desta forma, Paris abriu mão de evocar o tema das mudanças climáticas, ausente das declarações. No texto sobre o combate ao ebola, não há menção sobre a importância e expertise da Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual os Estados Unidos se retirou, como da maioria dos organismos das Nações Unidas.
Sobre as parcerias internacionais para o fomento do desenvolvimento, Donald Trump confunde ajuda internacional com empréstimos, cuja dívida estrangula a capacidade das nações africanas, as maiores necessitadas, conseguirem avançar. Já o documento sobre a questão estratégica do acesso aos minerais críticos, o tom da declaração é crítico ao papel da China, tratada como uma ameaça para o resto do mundo. Em seu conjunto, os textos refletem a visão dos países do norte sobre as grandes questões globais, e especialmente a postura norte-americana.
Agenda de Lula
Nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do painel sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, um dos assuntos mais importantes da cúpula. Nesta sessão, ele fará o seu segundo e último discurso do encontro. No início do painel, transmitido à imprensa, Donald Trump chegou atrasado à mesa, ao lado dos demais líderes, e chegou a ser brevemente substituído por Scott Bessent, secretário do Tesouro americano.
Na sequência, Lula estará presente no almoço de trabalho sobre inteligência artificial e a proteção de menores no ambiente digital, que contará com a participação de 12 CEOs.
No intervalo entre os dois compromissos, o presidente terá uma reunião bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi. À tarde, poderá se encontrar com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, convidado a participar da cúpula pelo francês Emmanuel Macron.
A agenda do líder brasileiro termina no fim da tarde, com uma reunião com o o secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, em Genebra, seguida de uma entrevista coletiva à imprensa brasileira.