Túnel do Anhangabaú já alagou até o teto em 1990; inundações se repetem há 70 anos

Passagem subterrânea no centro de São Paulo, afetada pela chuva desta quarta, 14, acumula episódios de alagamento desde 1958; em 1996, ficou interditada por pelo menos 20 horas

14 out 2026 - 20h01
(atualizado às 20h06)
Resumo
Um forte temporal em São Paulo provocou graves transtornos, alagando metrôs, ruas e o Túnel do Anhangabaú, onde carros ficaram submersos. O episódio expõe um problema histórico de quase 70 anos na via subterrânea, que acumula enchentes severas desde 1958. Segundo a Prefeitura, o sistema de bombas operou normalmente, mas a vazão foi insuficiente para o volume atípico de água, equivalente a 11 dias de chuva em apenas 40 minutos. O caos causou desabamentos e mais de mil quilômetros de lentidão no trânsito.

A inundação que atingiu o Túnel do Vale do Anhangabaú nesta quarta-feira, 14, após a forte chuva que caiu sobre a capital paulista, está longe de ser um episódio isolado. A passagem subterrânea, no centro de São Paulo, registra alagamentos ao menos desde 1958 e já chegou a ficar tomada pela água até o teto.

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Uma fotografia de 1958, preservada no acervo do Estadão, mostra o túnel transformado em uma espécie de piscina. Naquele 26 de janeiro, as fortes chuvas que atingiram São Paulo provocaram inundações em bairros inteiros, interditaram o trânsito no centro e deixaram submersa a passagem conhecida como "buraco do Adhemar", no Vale do Anhangabaú.

Em nota, a Prefeitura de SP alega que a inundação desta quarta ocorreu por conta do volume de chuva inesperado. Segundo a gestão Nunes, "choveu em apenas 40 minutos no córrego do Anhangabaú o esperado para 11 dias no mês de outubro".

A Prefeitura ainda afirma que o túnel conta com seis bombas, que operaram de forma ininterrupta, sem registro de problemas nos equipamentos.

"No entanto, a vazão não foi suficiente diante do volume de água registrado. Todo esse sistema é monitorado 24 horas por dia por meio de sensores e câmeras." Um caminhão de bombeamento emergencial foi enviado ao local para reforçar a drenagem.

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Em 26 de janeiro de 1958, uma forte chuva castigou o centro de São Paulo. Um dos estragos da chuva foi o alagamento da passagem subterrânea, conhecida como 'Buraco do Adhemar', localizada no Vale do Anhangabaú.
Em 26 de janeiro de 1958, uma forte chuva castigou o centro de São Paulo. Um dos estragos da chuva foi o alagamento da passagem subterrânea, conhecida como 'Buraco do Adhemar', localizada no Vale do Anhangabaú.
Foto: Acervo Estadão / Estadão

Em 1996, uma nova inundação deixou a passagem bloqueada por pelo menos 20 horas. A interdição contribuiu para congestionamentos que chegaram a 27 quilômetros no centro da cidade. Na época, a administração municipal informou que a falta de energia elétrica havia impedido o funcionamento das bombas de sucção. O acúmulo de lixo, associado à greve dos coletores, também agravou a situação, segundo a prefeitura.

Três anos depois, em 1999, bastaram 40 minutos de chuva e granizo para provocar novos transtornos no centro. Motoristas e ambulantes que trabalhavam nas proximidades dos túneis afirmaram que funcionários da Administração Regional da Sé só acionaram as bombas de drenagem depois que a chuva já havia começado e a passagem estava inundada.

Em 2006, outro temporal voltou a fechar o Túnel do Anhangabaú, desta vez por mais de uma hora e meia.

Chuva em SP alaga túnel do Anhangabaú, ruas e estação de metrô

A forte chuva que caiu em São Paulo nesta quarta-feira provocou transtornos em várias partes da cidade. O túnel do Vale do Anhangabaú, no centro, ficou inundado, com vários carros submersos. A estação de metrô Liberdade, na Linha 1-Azul, também ficou alagada e no Parque do Ibirapuera o lago chegou a transbordar.

Também houve alagamentos no Túnel São João II, no Terminal Bandeira e na Estação Trianon-MASP, da Linha 2-Verde do Metrô, na região central. Na Rua Conselheiro Ramalho, um imóvel desabou, mas não havia moradores no momento da ocorrência.

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Diante do caos provocado pelas enchentes, a Prefeitura suspendeu o rodízio dos veículos no centro expandido. Às 18h30, havia mais de mil quilômetros de congestionamento na capital, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Segundo o Corpo de Bombeiros, entre 15 horas e 18 horas, houve na cidade 11 chamadas para quedas de árvores; quatro chamadas para desabamentos; e 17 chamadas para enchentes.

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