Após fortes chuvas alagarem o Túnel do Anhangabaú, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que a via deveria ter sido fechada preventivamente devido aos alertas emitidos. Em contrapartida, o prefeito Ricardo Nunes defendeu a atuação municipal, alegando resposta rápida e volume atípico de água. O debate ocorreu no lançamento da Operação El Niño, na qual o Estado anunciou R$ 29 bilhões em medidas para mitigar eventos climáticos extremos, classificados pelo governador como o "novo normal".
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira, 15, que o Túnel do Anhangabaú deveria ter sido fechado durante as chuvas que atingiram a capital paulista na tarde de quarta-feira, 14. O temporal inundou o túnel e deixou veículos parcialmente submersos. Assustados, motoristas e passageiros tiveram de sair dos carros para se proteger.
"Ontem (quarta-feira), houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora em que, mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, a capacidade de escoamento é inferior à vazão da água que está chegando", disse o governador.
Procurada para comentar as declarações do governador, a Prefeitura não retornou. Durante uma agenda nesta quinta-feira, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) avaliou que os protocolos da gestão municipal para risco de alagamentos no Vale do Anhangabaú "estão bem fundamentados". "A gente começou lá o alagamento no Anhangabaú às 16h10. Quando era 16h40, eu já estava com os caminhões, com mais bombas, fazendo a sucção da água. Então a Prefeitura fez um grande investimento. O protocolo funcionou", disse Nunes.
A administração municipal informou que, em 40 minutos, choveu na região do córrego do Anhangabaú o que equivalente a 11 dias no mês de outubro, e que as seis bombas do túnel usadas para eliminar a água funcionaram de forma ininterrupta.
Operação El Niño em SP
A declaração de Tarcísio sobre o alagamento do túnel do Anhangabaú foi dada durante a apresentação e o lançamento da Operação El Niño, do governo de São Paulo, voltada a mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos — como temporais e ondas de calor — que se tornam comuns nesta época do ano.
As ações incluem medidas de prevenção de desastres e acolhimento da população, são coordenadas pela Defesa Civil e articuladas com secretarias do governo, incluindo as pastas do Verde e Meio Ambiente e da Saúde (veja mais abaixo).
O governador destacou que a ocorrência de eventos climáticos extremos, como temporais, vendavais e ondas de calor, faz parte de um "novo normal" e que as pessoas vão ter que "conviver com isso". "Ontem (quarta-feira), tivemos essa chuva forte aqui na cidade de São Paulo, e a gente tem que entender que isso vai ser cada vez mais frequente."
"No Anhangabaú, chegam (os cursos d'água) Bixiga, Itororó e Saracura, que formam o Rio Anhangabaú. E não tem jeito", disse o chefe do Executivo. "A gente precisa se preparar, não adianta."
O governo anunciou R$ 29 bilhões em investimentos para o Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas (PEARC), que prevê dezenas de medidas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
A operação geralmente é lançada em dezembro. Em razão da previsão de intensificação do El Niño, fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, as ações do governo foram antecipadas.
A previsão é de um El Niño de intensidade muito forte, que poderá superar os registrados entre 2015 e 2016. Já em curso, os efeitos do fenômeno serão sentidos no Brasil pelos próximos meses. Entre as principais consequências, estão mudanças no regime de chuvas no País, com fortes temporais nas regiões Sul e Sudeste e risco de estiagem em outras áreas.
Há também a previsão de aumento na ocorrência de ondas de calor, que poderão ser registradas até o final do verão, em março de 2027.