Vorcaro pagou hotel de ex-cunhado de Gilmar Mendes e recebeu foto da viagem, diz jornal

Chiquinho Feitosa viajou às vésperas de um julgamento de interesse do banqueiro no STF, cujo relator era o ministro Gilmar

13 out 2026 - 11h02
(atualizado às 11h20)
Foto do advogado de Daniel Vorcaro, Ciro Soares (à esquerda), com o ex-senador Chiquinho Feitosa, à época cunhado do ministro do STF Gilmar Mendes
Foto do advogado de Daniel Vorcaro, Ciro Soares (à esquerda), com o ex-senador Chiquinho Feitosa, à época cunhado do ministro do STF Gilmar Mendes
Foto: Reprodução/Divulgação/STF

Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, pagou a hospedagem de uma viagem a São Paulo para Chiquinho Feitosa, como é conhecido o ex-senador Francisco Feitosa (Republicanos), ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram três noites em um quarto de hotel cuja diária custa mais de R$ 30 mil, segundo revelou nesta terça-feira, 13, o jornal O Estado de S. Paulo.

A viagem ocorreu às vésperas do julgamento no STF de um processo de interesse de Vorcaro, envolvendo autorização para abertura de cursos de medicina, cujo o relator era o ministro Gilmar. Um dos advogados do ex-banqueiro, Ciro Soares, também fez essa viagem e mandou foto a Vorcaro acompanhado de Chiquinho, que era contratado a época de Vorcaro e recebia R$ 500 mil mensais para prestar consultoria. 

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O Estadão teve acesso a áudios e documentos que fazem parte do acervo de Vorcaro, que mostram Ciro Soares repassando um recado de Chiquinho Feitosa para mudar a data do hotel em São Paulo. Pouco depois, o próprio Vorcaro enviou ao então cunhado de Gilmar Mendes o comprovante da hospedagem com as datas solicitadas.

No dia 22 de maio de 2024, às 19h25 Ciro enviou um áudio a Vorcaro com a solicitação. “O Chiquinho me ligou falando assim ‘ô macho vei, a gente falou que a minha reserva no hotel era de quinta pra sexta mas eu tô indo hoje, então era de quarta pra sexta, cê consegue mudar aí a reserva no hotel?”.

O banqueiro apenas respondeu com um “ok”. Às 20h23, ele enviou diretamente a Chiquinho Feitosa o comprovante da hospedagem. A reserva foi feita em um quarto com duas camas king size no hotel Rosewood.  Ao final da hospedagem, Feitosa agradeceu ao banqueiro: “Saindo agora do hotel, foi tudo ótimo! Obrigado e bom fim de semana”.

Diálogo em que o banqueiro Daniel Vorcaro acerta com o ex-senador Chiquinho Feitosa, à época cunhado do ministro do STF Gilmar Mendes, hospedagem em hotel em São Paulo
Foto: Reprodução/Estadão

No dia 24 de maio de 2024, teve início o julgamento virtual no STF de um processo que tratava da abertura de novos cursos de medicina. O assunto era de interesse de Vorcaro porque ele havia investido em faculdades que tinham iniciado processo de abertura desses cursos, mas havia uma disputa judicial sobre as exigências.

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Nas conversas com Chiquinho Feitosa, Vorcaro repassou informações sobre a discussão envolvendo os cursos de medicina e o ex-senador mencionou uma tentativa de reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana, para tratar do tema. Chiquinho chegou a postar em rede social uma foto com Camilo Santana no dia 16 de maio.

Em 30 de maio de 2024, às 10h19, o advogado Ciro Soares enviou mensagem a Vorcaro. “Bom dia Irmão!!! Encerrou o julgamento da questão da Medicina!!! Vencemos”. Vorcaro perguntou se isso já não tinha ocorrido na semana passada. Como havia dois processos sobre o assunto, o STF realizou dois julgamentos em datas próximas para tratar do mesmo tema, que acabou sendo unificado ao final. Por isso, Ciro respondeu que o caso tinha se encerrado naquele dia. 

“Foi aquele assunto que você tinha me pedido, das faculdades de medicina, que tava com o Gilmar. Deu tudo certo, agora só ver os trâmites agora”, disse ao banqueiro.

O ministro Gilmar Mendes votou contra a abertura desenfreada dos cursos. O desfecho, porém, acabou sendo comemorado pelo advogado de Vorcaro porque a decisão só atingia os futuros cursos e permitia que o MEC continuasse com a análise documental das universidades que já haviam iniciado o processo, como era o caso envolvendo o Master. 

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O Terra procurou o ministro Gilmar Mendes por meio do seu gabinete no STF para comentar o assunto, e aguarda retorno. O espaço está aberto. A reportagem também tentou contato com Chiquinho Feitosa. 

Fonte: Portal Terra
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