Três anos após o desaparecimento do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, de 27 anos, a Justiça inicia nesta terça-feira (29) o julgamento dos quatro acusados pelo crime em Bom Jesus, nos Campos de Cima da Serra. O júri pode se estender até quinta-feira (31).
Os réus Fabiana Ramos Saraiva, Felipe Silveira Noronha, Flávio Silveira Noronha e José Balduíno Saraiva respondem por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. Conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ao menos 11 testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento, além dos interrogatórios dos acusados.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Luciano foi atraído para uma área rural de Bom Jesus, em julho de 2023, onde teria sido vítima de uma emboscada motivada pela descoberta de um relacionamento extraconjugal entre ele e Fabiana Ramos Saraiva. De acordo com a acusação, Felipe, marido de Fabiana, José Balduíno, pai dela, e Flávio participaram da execução do plano. O corpo do caminhoneiro nunca foi localizado.
A acusação será conduzida pelo promotor Raynner Sales de Meira. Entre as testemunhas previstas estão familiares da vítima, o delegado Gustavo Costa, responsável pelas investigações, e a mãe de Luciano, Elisete Boeira, que deve prestar depoimento no primeiro dia do julgamento.
O julgamento seguirá as etapas previstas para o Tribunal do Júri, começando com o sorteio dos jurados que formarão o Conselho de Sentença. Em seguida, ocorre a fase de instrução, com a oitiva das testemunhas e o interrogatório dos réus. Depois, acusação e defesa apresentarão seus argumentos antes da votação dos jurados e da leitura da sentença pela magistrada.
Segundo as investigações, Luciano desapareceu na noite de 26 de julho de 2023, após sair de casa de motocicleta para encontrar uma mulher na localidade de Caraúno, em Bom Jesus. Antes disso, ele havia preparado a residência onde morava e comprado um edredom e travesseiros, indicando que esperava receber alguém.As últimas mensagens enviadas à família informavam apenas que ele havia ido até a cidade. Desde então, nunca mais foi visto.
A Polícia Civil concluiu que o crime começou a ser planejado um dia antes do desaparecimento. Conforme a denúncia, após descobrirem o relacionamento entre Luciano e Fabiana, os demais acusados decidiram matar o caminhoneiro. A vítima teria sido atraída ao local do encontro por meio de mensagens enviadas por Fabiana e assassinada sem possibilidade de defesa. Até hoje, o paradeiro do corpo permanece desconhecido.