Quem é o estudante de Direito da USP que desapareceu depois de ir à Ucrânia lutar na guerra

Embora Igor de Aguiar Amazonas esteja sob o status de 'desaparecido em combate' pelas autoridades ucranianas, amigos e familiares apontam que o jovem teria morrido no conflito. Itamaraty diz que presta assistência consular aos parentes

20 abr 2026 - 18h47

O estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Igor de Aguiar Amazonas, de 23 anos, está desaparecido após ir à Ucrânia ajudar o país do leste europeu na guerra contra a Rússia.

Na semana passada, o Itamaraty informou que o brasileiro recebeu o status de "desaparecido em combate" pelas autoridades ucranianas, que notificaram à Embaixada do Brasil em Kiev sobre a situação.

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Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que está em contato com a família do brasileiro e que presta assistência consular aos parentes de Igor.

Autoridades ucranianas alertaram a embaixada brasileira em Kiev que Igor de Aguiar Amazonas está desaparecido em combate
Autoridades ucranianas alertaram a embaixada brasileira em Kiev que Igor de Aguiar Amazonas está desaparecido em combate
Foto: Reprodução/@nexogovernamental via Instagram / Estadão

Embora a condição do brasileiro seja de "desaparecido em combate", colegas de Igor da universidade afirmam que o estudante está morto, e que a informação também teria sido confirmada pela família.

A reportagem questionou o Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira, 20, sobre possíveis atualizações do caso, mas não obteve retorno até a publicação do texto. O espaço segue aberto e a reportagem será atualizada conforme o envio do posicionamento.

Antes de se tornar um combatente, Igor estava no segundo ano da graduação da Faculdade de Direito da USP, uma das mais prestigiadas do País.

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Ao Estadão, a fundadora e presidente do Nexo Governamental XI de Agosto, Liliane Castro, de quem o jovem era próximo, descreveu Igor como "uma pessoa pessoa com um coração bom". Segundo ela, o estudante viajou à Ucrânia para ser um dos combatentes no conflito porque tinha "vontade de mudar o mundo".

Outro colega da USP, no entanto, contou à reportagem que o jovem relatava ter problemas familiares e que se sentia excluído na faculdade. "Chegou num ponto em que ele tinha medo de ir para a USP expressar suas opiniões", disse outro estudante, que conversou com o Estadão na condição de anonimato.

Em nota publicada na última sexta-feira, 17, a Diretoria da Faculdade de Direito da USP manifestou solidariedade com a família e amigos do Igor e disse que a instituição está acompanhando o caso junto às autoridades brasileiras.

A faculdade descreveu Igor como um "aluno dedicado" e que participava intensamente das atividades da instituição, incluindo o Grupo de Extensão Nexo Governamental XI de Agosto, fundado e presidido por Liliane Castro

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Ida à Ucrânia

Igor chegou em território ucraniano entre o final de março e início de abril. À reportagem, Liliane contou que nos primeiros dias de estada na Ucrânia, o estudante era ativo na internet e costumava conversar com os demais membros do grupo para relatar a rotina em meio à guerra.

"E do nada (ele) parou de responder", disse. "Nisso, um membro que era muito próximo dele e conhecia a família, contatou a irmã dele para ver se estava tudo bem. E ela infelizmente nos comunicou sobre o falecimento. Ficamos muito abalados", disse a amiga.

Segundo ela, a interrupção brusca na comunicação também chamou atenção dos parentes de Igor. "Quando ele parou de responder e também de receber as mensagens, a família contatou brasileiros que estavam lá e eles disseram que ele faleceu".

O grupo de extensão Nexo Governamental XI de Agosto, ligado à Faculdade do Largo São Francisco e do qual Igor fazia parte, publicou uma nota de pesar em que afirma que o rapaz está morto.

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"O Nexo Governamental XI de Agosto lamenta o falecimento do seu antigo membro Igor de Aguiar Amazonas, aluno de Direito da Universidade de São Paulo, e manifesta sua solidariedade irrestrita à família e aos amigos".

Em uma página com orientações sobre a participação em conflitos armados em outros países, o Itamaraty aponta que tem sido registrado aumento no número de brasileiros que perdem suas vidas nessas situações.

Afirma ainda que a assistência consular pode ser limitada pelos termos dos contratos assinados entre os alistados e as forças armadas de terceiros países.

"Nesse sentido, recomenda-se fortemente que convites ou ofertas de trabalho ou de participação em exércitos estrangeiros sejam recusadas", diz o Ministério das Relações Exteriores.

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