A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta sexta-feira, 3, três suspeitos pela morte do advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco. Conhecido por sua atuação no mensalão e no Grupo Prerrogativas, ele foi encontrado na terça-feira, 30, após três dias desaparecido.
Câmeras de segurança flagraram o advogado sendo roubado no centro da capital paulista. O vídeo mostra um casal assaltando Pacheco entre as ruas Maranhão e Itambé, em Higienópolis. O advogado reage, tentando impedir que o homem retire algo de seu bolso. Na sequência, o criminoso o agride com um soco na cabeça e Pacheco cai no chão. O casal foi preso nesta tarde, assim como um segundo homem, que não aparece na gravação divulgada.
A delegada Gabriela Lisboa, do 4° Distrito Policial, da Consolação, responsável pelo caso, afirmou que os três suspeitos são investigados por latrocínio. "Eles assumiram o risco de morte quando entraram em contato com a vítima e ela caiu", declarou nesta tarde à imprensa.
A delegada afirma que o grupo já atuava na região. Segundo ela, o caso aconteceu na saída de um bar. "Eles esperam a vítima ficar mais vulnerável, seja pelo horário, pela situação, que no caso, ele estava sozinho, e, aí, aproveitam a oportunidade." Depois da queda de Pacheco, que fica desacordado, os suspeitos fogem com seus pertences, incluindo celular e relógio.
Entenda o caso
Pacheco foi encontrado pela PM "desfalecido ao solo e sem documentos que o identificassem" na terça-feira, 30, na Rua Itambé, perpendicular à Rua Maranhão, após uma pessoa que passava pela rua e não o conhecia chamar a polícia e o Samu ao perceber que ele estava convulsionando e com dificuldade de respirar na rua.
"Ele tinha trinta anos de carreira. Presidiu a comissão de prerrogativas da OAB-SP. Foi sempre um grande guerreiro do direito de defesa, das prerrogativas do cidadão, dos direitos humanos. Sempre trabalhou de maneira muito aguerrida nisso, como poucos", afirmou o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica. A seccional paulista acompanha o caso e decretou três dias de luto na entidade.
Além de conselheiro da OAB-SP e do Conselho Federal da OAB, Pacheco foi conselheiro do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Nos últimos anos, atuava em seu próprio escritório, Luiz Fernando Pacheco Advogados, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo.
Coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho também lamentou a morte. "Ele era um dos membros mais ativos do grupo. Era um advogado extremamente combativo, solidário e generoso. Estava vivendo um momento muito feliz da vida pessoal. É uma perda absolutamente irreparável", declarou ao Estadão. Ele afirmou que a entidade também vai acompanhar as investigações e prepara homenagens ao advogado.