A investigação da Polícia Civil sobre a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, ganhou um novo desdobramento após a descoberta de mensagens que indicariam a possível produção de laudos falsos para justificar a retirada e a posterior eutanásia de animais resgatados. Conforme revelado pela investigação, uma servidora pública — identificada pela reportagem como policial civil — teria orientado Paula sobre como obter documentos veterinários e exames laboratoriais que ajudassem a caracterizar situações de maus-tratos, mesmo sem a comprovação adequada.
De acordo com o delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana, as mensagens sugerem a utilização de laudos veterinários e até exames realizados com sangue de outros animais para criar um contexto que permitisse o registro de maus-tratos e a retirada da guarda dos tutores. O inquérito também apura se informações sigilosas teriam sido compartilhadas pela servidora com a ex-secretária. O caso deverá ser encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil para apuração da eventual responsabilidade funcional da agente.
Segundo reportagem de GZH, as investigações apontam ainda que, após a obtenção da guarda dos animais, Paula Lopes teria utilizado casos de abandono ou doenças graves para promover campanhas de arrecadação de recursos por meio das redes sociais. Segundo a Polícia Civil, há suspeitas de que a comoção gerada pelas histórias dos animais era utilizada para captar doações destinadas supostamente a tratamentos e cuidados veterinários. Os investigadores agora analisam aparelhos celulares apreendidos para identificar possíveis envolvidos e rastrear a destinação dos valores arrecadados.
Paula Lopes foi presa na segunda fase da Operação Carrasco, deflagrada nesta semana, juntamente com dois veterinários. Ela é investigada pelos crimes de maus-tratos, estelionato, associação criminosa e quebra de sigilo funcional. Conforme a polícia, há indícios de que animais com doenças tratáveis teriam sido submetidos à eutanásia sem necessidade clínica, enquanto campanhas de arrecadação continuavam sendo divulgadas ao público. A ex-secretária nega as acusações e afirma que laudos periciais comprovariam a legalidade dos procedimentos realizados.
A Polícia Civil ressalta que as suspeitas se referem à atuação investigada de Paula Lopes e não representam o trabalho das secretarias de Bem-Estar Animal ou de entidades de proteção animal em geral. O caso segue em investigação e novas diligências devem ser realizadas nos próximos dias.