Operação Linha Direta: Polícia desarticula "call center" do crime com metas e bônus em Porto Alegre

Quadrilha mantinha estrutura profissional com quadros que estipulavam recompensas financeiras por valores roubados; seis pessoas foram presas na capital

30 abr 2026 - 11h03

A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (28), a segunda fase da Operação Linha Direta, resultando na desarticulação de uma central de golpes eletrônicos que operava como um "call center" clandestino no bairro Jardim Itu, em Porto Alegre. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV) do DEIC, revelou um esquema altamente estruturado, onde os criminosos trabalhavam com metas financeiras agressivas e um sistema de premiação por desempenho. No momento da abordagem policial, quatro mulheres foram surpreendidas enquanto aplicavam golpes por telefone.

Foto: Divulgação/Polícia Civil / Porto Alegre 24 horas

A profissionalização do crime surpreendeu os agentes: em quadros brancos espalhados pelo local, a organização criminosa detalhava as metas de valores a serem extorquidos. Para cada R$ 10 mil roubados das vítimas, o golpista recebia um bônus de R$ 50, com recompensas que podiam chegar a R$ 1 mil caso o criminoso atingisse a meta de R$ 50 mil. O ambiente era marcado por um incentivo corporativo cínico, incluindo mensagens motivacionais como "confio na equipe", que tentavam manter o ritmo de trabalho dos operadores.

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Segundo a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, o grupo possuía uma divisão clara de tarefas e atuava em escala estadual e nacional, fazendo uso intensivo de tecnologia. O modus operandi consistia em se passar por funcionários de instituições bancárias, convencendo as vítimas de que suas contas haviam sido invadidas. O alvo principal era o público vulnerável, especialmente idosos ou pessoas com baixo letramento digital, induzidas a realizar transferências para contas controladas pela quadrilha. Estima-se que o prejuízo causado pelo esquema chegue à casa dos milhões de reais.

Esta ação é um desdobramento de uma investigação iniciada ainda em dezembro de 2025, quando uma primeira ofensiva contra o grupo resultou na prisão de 17 pessoas em Cachoeirinha. Mesmo após a primeira investida policial, a quadrilha tentou se reorganizar para retomar as atividades ilícitas. Nesta fase, seis pessoas foram presas em flagrante e responderão por estelionato qualificado por meio eletrônico, associação criminosa e corrupção de menores, enquanto as autoridades seguem trabalhando para identificar outras ramificações e vítimas do esquema.

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