Nova lei faz PM que matou mulher na zona leste ter aumento salarial duas semanas após o caso

SSP-SP afirma que não se trata de 'promoção', mas cumprimento de nova lei que unifica duas categorias de soldado e faz equiparação remuneratória automática

19 abr 2026 - 17h35

A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que atirou e matou uma mulher na zona leste de São Paulo em 3 de abril, receberá um aumento salarial de R$ 480 em razão de uma nova lei que entrou em vigor no início do mês e que propõe mudanças na carreira da corporação.

Entre as alterações da legislação (Lei nº 18.442, de 2 de abril de 2026) está a unificação das carreiras de soldados de 2ª classe e de 1ª classe em uma única patente: a de soldado PM.

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Com isso, Yasmin — que era soldado de 2ª classe desde janeiro de 2025 — passou a ocupar a nova graduação após transposição publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo na última sexta-feira, 17, exatamente duas semanas depois de se envolver no episódio que culminou em seu afastamento da corporação (relembre abaixo).

Soldado da PM Yasmin Cursino Ferreira foi afastada da corporação depois de atirar e matar uma mulher na zona leste de São Paulo durante uma atividade de patrulha.
Soldado da PM Yasmin Cursino Ferreira foi afastada da corporação depois de atirar e matar uma mulher na zona leste de São Paulo durante uma atividade de patrulha.
Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

Como os soldados de 1ª classe — hierarquicamente superiores aos de 2ª — não podem sofrer redução salarial, os antigos soldados de 2ª classe tiveram reajuste automático nos vencimentos para atingir os valores estabelecidos para a nova patente.

Além de Yasmin, centenas de outros militares foram alcançados pela atualização e também tiveram os nomes publicados no Diário Oficial.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que não se trata de "promoção", mas apenas do cumprimento da nova lei. "A nova legislação extinguiu a antiga divisão entre soldados de 1ª e 2ª classe, unificando a graduação sob a nomenclatura única de 'soldado PM'", informou a pasta.

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"Dessa forma, o ajuste salarial de R$ 480 trata-se unicamente da equiparação remuneratória automática garantida pela lei a todos os policiais que ocupavam a extinta 2ª classe", acrescentou.

Policial matou mulher na zona leste após discussão

Na madrugada de 3 de abril, a ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi baleada no tórax pela policial Yasmin durante patrulhamento no bairro Cidade Tiradentes, na zona leste da capital.

A discussão ocorreu na Rua Edimundo Audran e começou após a viatura em que Yasmin estava colidir com o braço do marido de Thawanna, Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava pela via — onde as calçadas são estreitas.

Yasmin desceu do veículo e, durante um bate-boca com Thawanna, atirou contra a vítima. A soldado afirma ter levado um tapa no rosto, o que Luciano nega.

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A câmera corporal do policial militar Weden Silva, que dirigia a viatura, não registrou o momento do disparo porque ele estava atrás do veículo, que bloqueou a visão. Yasmin não utilizava bodycam.

Após o disparo, Weden questiona a colega sobre o motivo de ter atirado. Cerca de um minuto depois, por volta das 2h59, ele aciona o resgate, que chegou às 3h30. Nesse intervalo, a vítima permaneceu no chão.

Com a chegada do socorro, Thawanna foi levada ao Hospital Santa Marcelina, também em Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada cerca de cinco horas depois.

De acordo com a certidão de óbito, à qual o Estadão teve acesso, Thawanna morreu de hemorragia interna aguda causada por agente perfurocontundente. Ela era mãe de cinco filhos e completaria 32 anos na última quarta-feira, 8 de abril.

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A Polícia Civil e a Corregedoria da PM investigam o caso. Segundo a SSP-SP, outras corregedorias das instituições envolvidas também apuram os fatos. A reportagem busca contato com a defesa de Yasmin.

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