A Justiça do RS concedeu liberdade provisória a Mayanna Rodgers, mãe do menino de três anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão. Com a acusação de homicídio arquivada, ela responde por tortura por omissão contra os quatro filhos e cumprirá medidas cautelares, como uso de tornozeleira e veto de contato com as crianças. O pai, D'andre Grayson, segue preso preventivamente por homicídio qualificado e tortura, após agredir fatalmente o filho, que teve traumatismo cranioencefálico grave.
A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liberdade provisória a Mayanna Angelina Rodgers, mãe de Oliver Grayson, de três anos, que morreu após ser espancado pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A decisão foi tomada na quinta-feira (8) e substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares.
Mayanna responde a quatro acusações de tortura por omissão, relacionadas ao menino e aos três irmãos dele. As denúncias contra ela por homicídio foram arquivadas. Apesar de deixar a prisão, a mulher deverá cumprir uma série de restrições determinadas pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão.
Entre as medidas impostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar das 20h às 6h e nos dias de folga, além da proibição de contato ou aproximação dos filhos, salvo autorização expressa da Justiça da Infância e Juventude. Ela também deverá manter o endereço atualizado, comparecer aos atos processuais quando intimada e entregar o passaporte em até 24 horas após a soltura.
Na decisão, o juiz Guilherme Pires Mitidiero afirmou que, embora os fatos descritos na denúncia sejam graves, o cenário atual do processo é diferente daquele considerado quando a prisão preventiva foi decretada. Segundo o magistrado, os fundamentos para manter a medida estavam significativamente enfraquecidos.
Pai continua preso
O pai da criança, D'andre Grayson, de 33 anos, continua preso preventivamente. Ele responde por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura.
Conforme a investigação, Oliver foi agredido em 5 de julho, supostamente porque não teria dado bom-dia ao pai. O homem teria dado socos no menino e batido a cabeça dele contra o chão.
A criança morreu em 8 de julho. O exame necroscópico apontou traumatismo cranioencefálico grave como causa da morte.
Investigação apurou suspeitas de violência contra os irmãos
As apurações também identificaram indícios de agressões recorrentes contra os outros filhos do casal. Segundo a Polícia Civil, as crianças apresentavam marcas e cicatrizes de diferentes épocas, e havia suspeitas de que fossem orientadas a esconder os ferimentos e a não relatar os episódios a outras pessoas.
Mayanna responde pelas acusações de tortura por omissão relacionadas aos quatro filhos. A defesa afirma que a mulher não teve envolvimento no homicídio de Oliver, cuja acusação contra ela foi arquivada, e sustenta que ela pretende demonstrar sua inocência no decorrer do processo.