Justiça mantém suspensão de alvarás em SP; Câmara aponta perda de R$ 4 mi em arrecadação por dia

Prefeitura afirma que vai recorrer da decisão, enquanto Legislativo acionou o STF

13 mar 2026 - 21h21

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a suspensão de novas autorizações para construções e demolições na capital paulista. O desembargador Donegá Morandini negou nesta sexta-feira, 13, recurso apresentado pela Prefeitura.

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A Justiça analisa a validade da revisão da Lei de Zoneamento, sancionada em 2024 pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) após aprovação pela Câmara Municipal.

A Prefeitura afirmou, em nota, que vai recorrer da decisão, "demonstrando a constitucionalidade da norma municipal e os graves prejuízos causados à população pela liminar concedida".

A Câmara apresentou recurso, que ainda não foi analisado, e acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para liberar os novos alvarás. Os vereadores alegam "grave lesão à ordem pública e econômica". Segundo eles, o município deixa de arrecadar R$ 4,2 milhões por dia sem a emissão das licenças.

"Dentre os impactos negativos estão a interrupção da aprovação de 375 unidades de habitação de interesse social por dia, o comprometimento de até 197 mil postos de trabalho e de até R$ 90 bilhões de investimentos no setor da construção civil", afirmou a Câmara em nota.

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O Ministério Público, autor da ação, tenta reverter as mudanças no zoneamento. O órgão aponta irregularidades em relação ao texto sancionado e ao processo de tramitação do projeto no Legislativo.

A revisão do zoneamento ampliou as áreas onde são permitidos prédios mais altos, intensificando a verticalização. O argumento foi possibilitar edifícios com mais andares próximos a transportes públicos, como linhas de metrô e trem ou corredores de ônibus. Dessa forma, aumentaria o número de moradores em locais com infraestrutura de mobilidade.

O Ministério Público, porém, acusa falta de estudo técnico que justificasse as mudanças implementadas na revisão, especialmente sobre emendas incluídas de última hora por vereadores ao texto sem amplo debate com a população.

Moradores de vários bairros (entre eles Campo Belo, como na foto) têm se mobilizado para barrar mudanças nas regras para construir prédios.
Moradores de vários bairros (entre eles Campo Belo, como na foto) têm se mobilizado para barrar mudanças nas regras para construir prédios.
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

"Em uma cidade como a capital paulista, alterações dessa ordem implicam interferência no trânsito local, comércio, segurança, mobilidade urbana, e, portanto, na qualidade de vida dos cidadãos", afirmou o procurador-geral de Justiça do Estado, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, na ação.

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O Legislativo defende, no entanto, que a revisão da Lei de Zoneamento teve "ampla divulgação prévia e participação popular". "Foram 38 audiências públicas, quando a legislação exige duas."

Recurso da Prefeitura negado

Nesta sexta-feira, o desembargador Donegá Morandini afirmou que o recurso da Prefeitura não traz argumentos que contestem os apresentados pelo Ministério Público. "Limita-se tão somente a afirmar que o processo legislativo foi pautado pela regularidade", afirmou o magistrado.

Morandini determinou que o procurador-geral se manifeste sobre os pontos apresentados pelo Executivo.

A Câmara também apresentou um recurso, que ainda será analisado pelo colegiado do Tribunal, após a manifestação do Ministério Público. Procurado pela reportagem, o órgão ainda não se manifestou.

Os vereadores ainda acionaram o STF. O presidente da Corte, Edson Fachin, também determinou que o procurador-geral de Justiça do Estado se manifeste em até 72h. O prazo será encerrado no começo da próxima semana.

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