"Deviam estar feridos", diz Bolsonaro sobre presos mortos

Presidente afirma ainda que sonha com presídio agrícola no País e trabalho forçado "para esse tipo de gente"

31 jul 2019 - 13h25
(atualizado às 13h28)
Presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto
Presidente Jair Bolsonaro durante evento no Palácio do Planalto
Foto: Adriano Machado / Reuters

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu nesta quarta-feira, 31, o trabalho forçado para presos no Brasil. Ele ponderou que a Constituição proíbe tal penalidade, mas disse que é seu "sonho" a existência de presídios agrícolas no País. Ele também afirmou que os quatro presos que estariam envolvidos no massacre de Altamira, no sudoeste do Pará, e que foram mortos na noite desta terça-feira, 30, por sufocamento dentro do caminhão-cela que os transferia para unidades de Belém morreram porque "com toda certeza, deviam estar feridos".

"Eu sonho com um presídio agrícola. É cláusula pétrea, mas eu gostaria que tivesse trabalho forçado no Brasil para esse tipo de gente, mas não pode forçar a barra. Ninguém quer maltratar presos nem quer que sejam mortos, mas é o habitat deles, né?", disse ao fim de uma cerimônia em que assinou o contrato de concessão de trechos da ferrovia Norte-Sul em Anápolis, em Goiás.

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Questionado sobre as mortes dos quatro presos, Bolsonaro respondeu que "problemas acontecem". "Porque uma ambulância, quando pega uma pessoa até doente no caminho, ela pode vir a falecer. O que eu pretendo fazer? Problemas acontecem, está certo?", disse. "Vou conversar com o ministro (Sergio) Moro (titular da Justiça e Segurança Pública) nesse sentido."

O presidente afirmou ainda ter pena dos familiares das vítimas do massacre e defendeu que haja mais "autoridade" em cima dos presos.

"A gente espera que seja resolvida essa questão. Se a gente pudesse obrigar o trabalho, mas se pudéssemos ter uma autoridade em cima do presidiário, como o americano tem, seria muito bom para nós", afirmou.

Perguntado ainda sobre se haverá ajuda federal para o caso, Bolsonaro afirmou que já existe o fundo penitenciário.

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Com o assassinato desses quatro presos, o número de vítimas do massacre do Centro de Recuperação Regional de Altamira subiu para 62 pessoas, maior chacina relacionada a presídios do País neste ano.

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