Cracolândia: secretário admite usuários no centro de SP, mas diz que tratamentos cresceram

Avaliação é do secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando, em entrevista à Rádio Eldorado

1 jul 2025 - 06h40
(atualizado às 07h43)

Câmeras da Prefeitura de São Paulo flagram ação de traficante na Cracolândia, na região central
Câmeras da Prefeitura de São Paulo flagram ação de traficante na Cracolândia, na região central
Foto: Prefeitura de São Paulo / Reprodução Smart Sampa

O secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando, admitiu a existência de usuários de drogas em pontos do centro de São Paulo após o esvaziamento da Rua dos Protestantes, maior concentração da Cracolândia até então. Por outro lado, o secretário diz que aumentou a procura por tratamento.

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"Aquele ponto da Cracolândia foi desmobilizado. Existem usuários pela cidade? Existem. Nunca negamos que ainda existem usuários. Estamos fazendo uma repressão forte ao tráfico e acolhimento dos usuários que ainda circulam", afirmou o secretário em entrevista à Rádio Eldorado nessa segunda-feira, 30.

Um dos pontos de concentração dos usuários após a dispersão a partir da esquina das ruas Gusmões e Protestantes é a Praça Marechal Deodoro.

"Onde percebemos que começou um aumento de usuários foi na Praça Marechal Deodoro. Ali percebemos que, em determinado momento, havia um número de usuários concentrados, mas não com tráfico como era na Rua dos Protestantes", afirma Morando.

Na segunda semana de maio, a esquina das ruas dos Gusmões e dos Protestantes, principal ponto de concentração de usuários, ficou completamente vazia.

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Entre os fatores que contribuíram para o esvaziamento da Cracolândia, na visão do secretário, estão as ações do governo do Estado e da Prefeitura para enfraquecer o tráfico de drogas na Favela do Moinho, um dos pontos de abastecimento da Cracolândia.

Orlando aponta ainda o aumento do número de prisões de traficantes: foram 527 traficantes entre janeiro de 2023 e maio de 2025, crescimento de 83%, em suas contas.

Desde a implementação do programa de monitoramento Smart Sampa, em julho de 2024, a Cracolândia passou a ser vigiada em tempo real por câmeras conectadas à Prefeitura. O uso da tecnologia facilita a identificação de traficantes, diz o poder municipal

Ainda de acordo com o secretário, também aumentou o número usuários que procuram tratamento médico para a dependência química. O porcentual é de 47% entre 2023 e 2024, passando de 151,8 mil para 222,5 mil.

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Questionado sobre vídeos que registraram imagens de guardas-civis metropolitanos agredindo usuários de drogas dias antes da desocupação da Cracolândia, como o Estadão mostrou no dia 21 de maio, o secretário disse que há uma apuração por parte da Corregedoria da GCM, mas ainda não houve afastamentos de agentes.

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