Os contratos administrativos que regem o transporte público escolar do interior de Uruguaiana tornaram-se o ponto central da Operação Oppenheimer, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A investigação apura o pagamento de propina para blindar tais contratos de fiscalizações parlamentares. Devido ao teor das suspeitas, o Poder Judiciário emitiu medidas cautelares restritivas para assegurar a continuidade e a segurança das viagens dos estudantes.
Os fatos vieram à tona a partir de áudios entregues à polícia, que expõem as negociações intermediadas pelo então titular da Secretaria de Esportes de Uruguaiana. O esquema visava proteger interesses econômicos de empresários locais detentores de vínculos contratuais com a prefeitura, em parceria com ex-diretores do Executivo municipal. Uma quantia de R$ 5 mil, referente à primeira cota de um suborno de R$ 50 mil, foi apreendida logo no início das apurações.
A ofensiva para coletar provas ocorreu de forma simultânea nas cidades de Uruguaiana e Porto Alegre, mobilizando 50 policiais civis de divisões especializadas, incluindo o Departamento de Investigações Criminais (Deic). Os agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e repartições públicas, recolhendo computadores, mídias digitais, documentos financeiros e cédulas em dinheiro.
A operação culminou também na detenção de duas pessoas por meio de mandados de prisão preventiva. Os investigados foram conduzidos para a Penitenciária Modulada de Uruguaiana, onde aguardam as determinações judiciais. O material probatório coletado será utilizado para dar robustez ao inquérito que apura os crimes de corrupção ativa e passiva na gestão dos serviços públicos examinados.
PC.