Como funciona o plano de contingência para amenizar impactos da greve da CPTM no Metrô

Como parte da estratégia, o Metrô antecipou o horário de abertura das estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata; CPTM mantém atendimento nos trechos de maior demanda e PAESE foi acionado

4 ago 2026 - 08h17
(atualizado às 08h26)

Um conjunto de medidas operacionais foi adotado por parte do Governo do Estado de São Paulo para reduzir os impactos aos passageiros durante a paralisação realizada pelos ferroviários nesta terça-feira, 4. Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entraram em greve à 0h, por tempo indeterminado. Neste momento, as linhas 11-Coral e 12-Safira estão com operação parcial e a linha 13-Jade permanece paralisada.

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CPTM

A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando o atendimento nos trechos de maior demanda. A Linha 11-Coral tem operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. Na Linha 12-Safira, os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. Neste momento, a linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto não estão operando. As Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa operam normalmente nesta manhã.

"Nosso foco é atender a população e nosso esforço está concentrado para garantir que a população possa ter mobilidade diante desta paralisação. Nossa expectativa é que ao longo do dia tenhamos mais colaboradores entrando na escala para que no pico da tarde tenhamos contingente maior", disse o diretor-presidente da companhia, Michael Cerqueira.

Situação das linhas, segundo a CPTM:

  • Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
  • Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianazes.
  • Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart)
  • Linha 13-Jade: paralisada
Passageiros aguardam chega de trem, em dia de greve de ferroviários que afetam a circulação de composições nas linhas 11, 12 e 13.
Passageiros aguardam chega de trem, em dia de greve de ferroviários que afetam a circulação de composições nas linhas 11, 12 e 13.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Linhas do Metrô com operação especial

Como parte da estratégia de contingência para ampliar a capacidade de atendimento, o Metrô antecipou o horário de abertura das estações das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata do monotrilho para as 4h.

A Linha 3-Vermelha, que atende parte da zona leste da capital e faz integração com as linhas afetadas, conta com composições adicionais em circulação. Também são realizadas manobras intermediárias em estações estratégicas, aumentando a oferta de viagens nos trechos com maior concentração de passageiros.

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O Metrô informa ainda que trens vazios poderão ser enviados às estações que apresentarem maior lotação nas plataformas, com o objetivo de agilizar os embarques e reduzir o tempo de espera. Segundo a companhia, o efetivo de funcionários está reforçado nas estações Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, além de outros pontos de maior demanda, para orientar os passageiros e auxiliar na organização dos fluxos.

As linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda estão com reforço das equipes operacionais e de atendimento, ampliação da segurança, monitoramento contínuo da operação, adequação da oferta de trens e atuação integrada das áreas de operação, inteligência e comunicação.

A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e opera com frota máxima nos horários de pico. A concessionária manterá monitoramento permanente da demanda e poderá ampliar a oferta de trens ao longo do dia, caso necessário.

As linhas Intermunicipais da região afetada reforçaram a frota.

PAESE

A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) disponibilizou ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE) para atendimento aos passageiros. Ao todo, 128 ônibus foram mobilizados sendo:

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  • Linha 11-Coral - 58 ônibus
  • Linha 12-Safira - 60 ônibus
  • Linha 13-Jade - 10 ônibus

A Polícia Militar também reforçou o policiamento preventivo no entorno das estações ferroviárias, terminais de transporte e demais locais de grande circulação de pessoas. O policiamento de trânsito também foi intensificado para contribuir com a fluidez viária nas regiões impactadas.

Na estação Corinthians-Itaquera, cartazes indicam a paralisação dos ferroviários.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Suspensão do rodízio

Por causa da greve, a Prefeitura de São Paulo anunciou que o rodízio municipal de veículos está suspenso nesta terça-feira.

Nesta terça, não poderiam circular no centro expandido da cidade os carros e caminhões com placas final 3 ou 4, nos horários entre 7h e 10h e entre 17h e 20h. Com a suspensão, os carros poderão circular em toda a cidade em quaisquer horários do dia.

Decisão da greve

A CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

  • A linha 11-Coral liga as estações Palmeiras-Barra Funda com a Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo;
  • A linha 12-Safira conecta a região central da capital, no Brás, com a região leste da cidade e municípios como Itaquaquecetuba e Poá, na Grande SP;
  • A Linha 13-Jade é uma das vias entre São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Greve dos ferroviários afeta funcionamento das linhas 11, 12 e 13 de trens.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

De acordo com o governo do Estado, as Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa permanecem em operação regular ao longo desta terça-feira, bem como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, foi acionado o plano de contingência com o objetivo de reduzir os impactos aos passageiros.

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Na segunda-feira, 3, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil chegaram a ser chamados para uma reunião com membros do governo de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes. As conversas, no entanto, não foram suficientes para demover os trabalhadores de paralisar as atividades.

Funcionários das linhas 11, 12 e 13 decidiram entrar em greve.
Foto: Divulgação/CPTM / Estadão

Em nota, a CPTM e o governo afirmaram lamentar a decisão do sindicato. "Na reunião realizada nesta segunda-feira, entre representantes do governo e do sindicato, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais", diz trecho do comunicado.

Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

"A nossa principal reivindicação é a garantia da manutenção dos empregos das linhas 11, 12 e 13", afirmou à reportagem Luiz Barbosa Neto Junior, uma das lideranças sindicais e que esteve também no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira.

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A categoria tem defendido o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

Desde o último dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

"O governo não nos deu uma garantia de que seremos reabsorvidos após esses 90 dias", acrescentou o sindicalista. "Ele afirmam que podem dar um apoio ao PL que já está tramitando (PL 730/2025), mas não conseguiram garantir que continuaremos trabalhando."

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Segundo Junior, 2.300 funcionários da CPTM correm o risco de perder seus empregos caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

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