Funcionários da CPTM entram em greve; veja linhas afetadas nesta terça-feira

Trabalhadores reivindicam reestatização de três ramais que foram concedidos à iniciativa privada; rodízio municipal de veículos é suspenso

4 ago 2026 - 05h10
(atualizado às 07h31)

Funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, atualmente operadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), entraram em greve à 0h desta terça-feira, 4, por tempo indeterminado. Neste momento, as linhas 11-Coral e 12-Safira estão com operação parcial e a linha 13-Jade permanece paralisada.

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Por volta das 5 horas, apenas a linha 11-Coral estava com funcionamento parcial, entre as estações Guaianases e Palmeiras-Barra Funda. As linhas 12-Safira e 13-Jade amanheceram paralisadas, com percurso sendo feito por ônibus estacionados em frente às estações.

Por volta das 5h38, nova atualização no site da CPTM indicava funcionamento parcial também da linha 12, com operação entre Engenheiro Goulart e Brás. A reportagem do Estadão constatou, no entanto, que os trens da 12-Safira ainda estavam parados na plataforma do Brás com as portas fechadas ao público. Os primeiros trens saíram por volta das 6 horas.

A Estação Brás, que conecta as linhas 3-Vermelha, 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira, está aberta neste momento. Ela amanheceu fechada e com grades bloqueando o acesso à linha 12-Safira.

Situação das linhas, segundo a CPTM:

  • Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve)
  • Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianazes.
  • Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart)
  • Linha 13-Jade: paralisada
Na estação Corinthians-Itaquera, cartazes indicam a paralisação dos ferroviários.
Na estação Corinthians-Itaquera, cartazes indicam a paralisação dos ferroviários.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Funcionamento de outras linhas

Segundo o Metrô, as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô e a linha 15-Prata do monotrilho amanheceram com Operação Especial para minimizar os impactos da greve dos ferroviários nas linhas 11, 12 e 13. Já as linhas 4-Amarela, 5-Lilás iniciaram o funcionamento com operação normal.

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Por volta das 6 horas, já era grande a movimentação de passageiros na estação Corinthians-Itaquera, com filas nas catracas para o acesso ao Metrô.

Suspensão do rodízio

Por causa da greve, a Prefeitura de São Paulo anunciou que o rodízio municipal de veículos está suspenso nesta terça-feira.

Nesta terça, não poderiam circular no centro expandido da cidade os carros e caminhões com placas final 3 ou 4, nos horários entre 7h e 10h e entre 17h e 20h. Com a suspensão, os carros poderão circular em toda a cidade em quaisquer horários do dia.

Decisão da greve

A CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos. Em caso de descumprimento, o TRT fixou uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.

  • A linha 11-Coral liga as estações Palmeiras-Barra Funda com a Estudantes, em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo;
  • A linha 12-Safira conecta a região central da capital, no Brás, com a região leste da cidade e municípios como Itaquaquecetuba e Poá, na Grande SP;
  • A Linha 13-Jade é uma das vias entre São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Greve dos ferroviários afeta funcionamento das linhas 11, 12 e 13 de trens.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

De acordo com o governo do Estado, as Linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa permanecem em operação regular ao longo desta terça-feira, bem como todo o sistema metroviário, incluindo as linhas administradas pelo Metrô e pelas concessionárias. Para as demais linhas da CPTM, foi acionado o plano de contingência com o objetivo de reduzir os impactos aos passageiros.

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Na segunda-feira, 3, representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil chegaram a ser chamados para uma reunião com membros do governo de São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes. As conversas, no entanto, não foram suficientes para demover os trabalhadores de paralisar as atividades.

Funcionários das linhas 11, 12 e 13 decidiram entrar em greve.
Foto: Divulgação/CPTM / Estadão

Em nota, a CPTM e o governo afirmaram lamentar a decisão do sindicato. "Na reunião realizada nesta segunda-feira, entre representantes do governo e do sindicato, o Estado reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho e com a análise de projetos de lei de interesse da categoria, como a absorção dos empregados por outros órgãos públicos estaduais", diz trecho do comunicado.

Passageiros aguardam chega de trem, em dia de greve de ferroviários que afetam a circulação de composições nas linhas 11, 12 e 13.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Os funcionários reivindicam a reestatização das três linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, além da garantia de que os trabalhadores não serão demitidos após os ramais passarem a ser de responsabilidade da concessionária TriviaTrens.

"A nossa principal reivindicação é a garantia da manutenção dos empregos das linhas 11, 12 e 13", afirmou à reportagem Luiz Barbosa Neto Junior, uma das lideranças sindicais e que esteve também no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira.

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A categoria tem defendido o Projeto de Lei 730/2025, do deputado federal Guilherme Cortez (PSOL), que autoriza justamente a absorção dos trabalhadores da CPTM das Linhas 11 - Coral, 12 - Safira e 13 - Jade por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta do Estado, após o serviço passar a ser feito por empresa privada.

Desde o último dia 24, as três linhas voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.

A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a TriviaTrens assumiu o serviço. Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.

"O governo não nos deu uma garantia de que seremos reabsorvidos após esses 90 dias", acrescentou o sindicalista. "Ele afirmam que podem dar um apoio ao PL que já está tramitando (PL 730/2025), mas não conseguiram garantir que continuaremos trabalhando."

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Segundo Junior, 2.300 funcionários da CPTM correm o risco de perder seus empregos caso os trabalhadores da companhia não sejam reabsorvidos quando as atividades voltarem a ser controladas pela TriviaTrens.

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