Carnaval de SP: 1º dia de desfiles exalta o poder feminino, a luta pela terra e a força dos orixás

De guerreiras amazônicas às águas de Oxum, a primeira madrugada de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo 2026 foi marcada por enredos de força, fé e ancestralidade

13 fev 2026 - 23h27
(atualizado em 14/2/2026 às 08h20)

Sete escolas cruzam a avenida nesta sexta-feira, 13, abrindo a disputa pelo título do carnaval paulistano de 2026.

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O Grupo Especial deu início os desfiles no Sambódromo do Anhembi com uma primeira noite marcada pela diversidade temática, que vai do protagonismo feminino à ancestralidade, passando por lutas sociais, astrologia e espiritualidade.

Com noite de tempo firme e arquibancadas cheias, todas as escolas conseguiram cumprir o tempo máximo regulamentar e finalizaram os desfiles dentro de 1h10.

Força das mulheres negras abre o Carnaval de São Paulo 2026

"Delírio!", "sonho se tornando realidade". Foi assim que integrantes da estreante no Grupo Especial, Mocidade Unida da Mooca, descreveram o momento histórico vivido no desfile. "Desde que a escola existe, todo mundo está esperando esse momento, e chegou!", celebrou Eduardo Okamoto, diretor artístico da agremiação.

Inspirado nas sociedades tradicionais africanas, a escola da zona leste apresentou o enredo "Gèlèdés - Agbara Obinrin", guardiãs da sabedoria e do equilíbrio. O desfile prestou homenagem às mulheres que transformam e sustentam comunidades com força espiritual, intelectual e cultural.

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A Mooca abriu a noite com uma representação do Orixá Exu pisando primeiro na avenida, desta vez, interpretado por uma mulher. A escola encantou o público e exaltou as origens afro-brasileiras com representações e homenagens as Yabás, Orixás femininas.

Também estreante no carnaval de São Paulo, Conceição Evaristo, desfilou pela escola e destacou a importância do tema apresentado na avenida. "Pra mim foi uma honra, sair do Rio e vir experimentar o Carnaval de São Paulo com esse enredo que é uma lição. O carnaval é uma aula pública e dar essa aula falando do Gèlèdés e de Sueli Carneiro, é estar representando mulheres negras", disse.

Colorado do Brás exalta o poder místico das mulheres

Com o enredo "A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado", a Colorado do Brás exaltou o conhecimento ancestral e o protagonismo feminino. A escola ressignificou a figura da "bruxa", a transformando em símbolo de sabedoria, resistência e conexão com a natureza.

Logo no abre-alas, a agremiação denunciou a tortura e o silenciamento de mulheres, com as alas seguintes marcadas por um visual envolto em misticismo, magia, cura e espiritualidade dando o tom do desfile.

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Mais do que o estereótipo comumente associado às bruxas, a escola também apresentou personagens famosas da cultura popular como a Bruxa do 71, a Cuca e Úrsula, vilã da Pequena Sereia, que apareceram em um carro alegórico dedicado à elas.

A atriz Fabi Bang cruzou a avenida no carro caracterizada como Glinda, personagem que vive na versão brasileira do musical Wicked.

Nas arquibancadas, a torcida acompanhou em coro o samba-enredo e vibrou com a evolução da escola, que concluiu sua passagem pela avenida com tranquilidade.

Dragões da Real leva guerreiras da floresta para o Anhembi

Com o samba-enredo na ponta da língua e a comunidade confiante no título, a Dragões da Real levou à avenida o primeiro enredo de temática indígena de sua história. Inspirada nas lendárias guerreiras da Amazônia, as Icamiabas, a escola apresentou "Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência".

Com carros de grande impacto visual, alguns com efeitos de movimento, luz e fumaça, como o dragão de 9 metros que marcou o abre-alas, a Dragões da Real apostou em uma narrativa conduzida pela força das imagens. Alegorias inspiradas na fauna e na flora amazônicas atravessaram a avenida integrando o enredo.

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Ao longo do desfile, a escola desenvolveu um discurso sobre coragem, liberdade e protagonismo feminino, exaltando a ancestralidade e a força dos povos originários.

Veja a ordem dos desfiles e os enredos

Sexta-feira (13 de fevereiro)

  • 23h - Mocidade Unida da Mooca (enredo "Gèlèdés - Agbara Obinrin")
  • 0h05 - Colorado do Brás (enredo - "A Bruxa está solta - Senhoras do Saber renascem na Colorado")
  • 1h10 - Dragões da Real (enredo - "Guerreiras Icamiabas - Uma lendária história de força e resistência")
  • 2h15 - Acadêmicos do Tatuapé (enredo - Plantar para colher e alimentar)
  • 3h20 - Rosas de Ouro (enredo - Escrito nas estrelas)
  • 4h35 - Vai-Vai (enredo - "A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia")
  • 5h30 - Barroca Zona Sul (enredo - Oro Mi Maió Oxum)

Sábado (14 de fevereiro)

  • 22h30 - Império de Casa Verde (enredo - "Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras")
  • 23h35 - Águia de Ouro (enredo - "Mokum Amsterdã - O voo da Águia à cidade libertária")
  • 0h40 - Mocidade Alegre (enredo - Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra)
  • 1h45 - Gaviões da Fiel (enredo - "Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã")
  • 2h50 - Estrela do Terceiro Milênio (enredo - "Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções")
  • 3h55 - Tom Maior (enredo - "Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba")
  • 5h - Camisa Verde e Branco (enredo - Abre caminhos)
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