Um integrante da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, sugeriu apagar mensagens de um grupo de WhatsApp após episódios de tortura que teriam ocorrido na sede da entidade, em Salvador. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 22, pela TV Bahia, com base em um relatório do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que investiga a participação de integrantes da diretoria nos crimes.
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O diálogo foi encontrado em um celular de um interlocutor identificado como “Kakaroto Drt”, apelido associado a Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing da Bamor, apreendido durante a Operação Inquisição, realizada em 28 de setembro. A ação resultou na prisão de dez pessoas, entre elas o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio.
“Melhor apagar tudo essas por aí, viu? Essas paradas aí porque, querendo ou não, vai que essa desgraça denuncia aí, sei lá. […] Inclusive apagar esse grupo aqui as conversa”, afirmou o integrante em uma mensagem de áudio enviada ao grupo “Diretoria Bamor”, que tinha 19 participantes.
No grupo, um outro integrante, identificado como Daniel, respondeu que não havia motivo para temer a existência de provas. “Não tem negócio de prova não, mano, provar o quê, véi? A gente pegou ele 'mermo', mano, que ele é ladrão, 'tava' roubando a torcida, então a gente meteu a desgraça nele e já foi”, afirmou.
Segundo as investigações, os diálogos ocorreram após dois homens serem submetidos a sessões de tortura física e psicológica na sede da torcida, no bairro de Nazaré, nos dias 17 e 18 de julho. As vítimas teriam sido convocadas para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades financeiras no sistema de gestão de associados da entidade.
Cada episódio de agressão teria durado cerca de quatro horas. O relatório também registra uma ameaça posterior atribuída a Matheus, após comentários da vítima sobre a duração da tortura. Em um áudio, ele afirmou que, caso houvesse um novo episódio, as agressões durariam o dobro do tempo.
Em 2 de outubro, o MP-BA denunciou dez integrantes da Bamor por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Os denunciados são:
- Matheus Pires Castro, presidente da Bamor;
- Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente;
- Gabriel Pereira Silva, diretor-geral;
- Daniel Sena Duarte, diretor de sede;
- Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing;
- Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio;
- Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;
- Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede;
- Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro;
- Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida organizada.
O Terra entrou em contato com a organizada do Bahia em busca de um posicionamento, e aguarda retorno.