Após sessões de tortura, membro de Organizada do Bahia ficou com medo de denúncia e sugeriu apagar grupo de WhatsApp, diz TV

Relatório aponta que membros da Bamor temiam que conversas fossem usadas como provas

22 out 2026 - 12h27
A ação resultou na prisão de dez pessoas, entre elas o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro
A ação resultou na prisão de dez pessoas, entre elas o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro
Foto: Reprodução/TV Bahia/Redes sociais

Um integrante da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, sugeriu apagar mensagens de um grupo de WhatsApp após episódios de tortura que teriam ocorrido na sede da entidade, em Salvador. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 22, pela TV Bahia, com base em um relatório do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que investiga a participação de integrantes da diretoria nos crimes.

O diálogo foi encontrado em um celular de um interlocutor identificado como “Kakaroto Drt”, apelido associado a Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing da Bamor, apreendido durante a Operação Inquisição, realizada em 28 de setembro. A ação resultou na prisão de dez pessoas, entre elas o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio. 

Publicidade

“Melhor apagar tudo essas por aí, viu? Essas paradas aí porque, querendo ou não, vai que essa desgraça denuncia aí, sei lá. […] Inclusive apagar esse grupo aqui as conversa”, afirmou o integrante em uma mensagem de áudio enviada ao grupo “Diretoria Bamor”, que tinha 19 participantes. 

No grupo, um outro integrante, identificado como Daniel, respondeu que não havia motivo para temer a existência de provas. “Não tem negócio de prova não, mano, provar o quê, véi? A gente pegou ele 'mermo', mano, que ele é ladrão, 'tava' roubando a torcida, então a gente meteu a desgraça nele e já foi”, afirmou.

Segundo as investigações, os diálogos ocorreram após dois homens serem submetidos a sessões de tortura física e psicológica na sede da torcida, no bairro de Nazaré, nos dias 17 e 18 de julho.  As vítimas teriam sido convocadas para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades financeiras no sistema de gestão de associados da entidade. 

Cada episódio de agressão teria durado cerca de quatro horas. O relatório também registra uma ameaça posterior atribuída a Matheus, após comentários da vítima sobre a duração da tortura. Em um áudio, ele afirmou que, caso houvesse um novo episódio, as agressões durariam o dobro do tempo. 

Publicidade

Em 2 de outubro, o MP-BA denunciou dez integrantes da Bamor por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Os denunciados são:

  • Matheus Pires Castro, presidente da Bamor;
  • Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente;
  • Gabriel Pereira Silva, diretor-geral;
  • Daniel Sena Duarte, diretor de sede;
  • Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing;
  • Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio;
  • Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;
  • Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede;
  • Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro;
  • Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida organizada.

O Terra entrou em contato com a organizada do Bahia em busca de um posicionamento, e aguarda retorno. 

Jovem é ameaçado de prisão por suposto policial por pedido para 'fazer o L' depois de ato pró-Lula no DF
Video Player
Fonte: Portal Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se