Investigação detalha tortura atribuída à cúpula da torcida do Bahia
Presidente da Bamor aparece em gravações com ameaças e instruções sobre agressões contra vítimas dentro da sede da torcida
Dez integrantes da cúpula da Bamor, torcida organizada do Bahia, incluindo o presidente e o vice, foram presos em Salvador. O Ministério Público os acusa de tortura, organização criminosa, extorsão, roubo e ameaça contra duas pessoas na sede da entidade, visando forçar confissões sobre supostos desvios financeiros. As vítimas relataram horas de agressões com martelo, faca e taco de beisebol, itens apreendidos pela polícia. As defesas dos dirigentes afirmam que os clientes são inocentes.
A polícia prendeu dez integrantes da Bamor, principal torcida organizada do Bahia, em Salvador. Entre os detidos estão o presidente da entidade, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano Silva Venâncio. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) acusa o grupo de torturar duas pessoas dentro da sede da organizada e de cometer crimes como organização criminosa, roubo, extorsão e ameaça.
De acordo com a investigação, a cúpula da torcida usou a estrutura da Bamor para pressionar vítimas a confessarem supostos desvios de dinheiro no sistema de gestão dos associados.
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Dessa forma, os integrantes da diretoria teriam levado as duas pessoas para uma sala no subsolo e mantido as agressões por horas. Mensagens de áudio atribuídas ao presidente também indicam que ele discutiu com outros dirigentes a forma de realizar as abordagens.
"Aí, amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito vai ser uma cena triste", diz Matheus em uma das gravações, que também expõem instruções para levarem alicates para arrancar unhas e afirmações que o alvo teria a "mão esmagada".
Agressões e ameaças
Uma das vítimas integrou a Bamor por 18 anos, liderou a arquibancada e cuidava do cadastro de associados. Os dirigentes o convocaram após suspeitarem que ele havia ativado planos de sócios sem registrar os respectivos repasses financeiros. Segundo o depoimento, cerca de dez integrantes da direção participaram das agressões durante quatro horas e ameaçaram familiares da vítima.
Nesse sentido, a outra vítima prestava serviços de tecnologia para a torcida e também negou qualquer fraude. Segundo o relato, integrantes da organizada repetiram a mesma abordagem após ele sugerir que o caso chegasse à polícia. No dia seguinte, alguns membros da Bamor ligaram para tentar impedir a denúncia. Ele, porém, procurou a Polícia Civil e classificou o episódio como tortura.
"A gente sentou em mesa de reunião, foi aí que começaram a me bater com o martelo primeiro, depois pegaram a minha mão, atravessaram minha mão de faca, me deram quatro facadas na mão e pegaram um taco de beisebol, de madeira, que começaram a deferir golpes de taco em mim. Botaram um saco na minha cabeça pra me sufocar.", revelou
Apreensão e investigação avançam
O Ministério Público da Bahia e as polícias Civil e Militar deflagraram uma operação no fim de setembro e cumpriram 15 mandados de busca e apreensão. Assim, os agentes também prenderam os dez investigados. Durante as buscas na sede da Bamor, os policiais encontraram martelos, um alicate e um taco de beisebol, objetos que as vítimas reconheceram como instrumentos usados nas agressões.
Além disso, o órgão acusa os investigados de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Segundo o delegado Ernandes Júnior, diretor do Denarc, alguns integrantes do grupo acumulam antecedentes por homicídio, tráfico de drogas, estelionato e violência doméstica.
Por outro lado. os advogados de Matheus Pires e Luciano Venâncio afirmaram que os clientes são inocentes e que já adotaram as medidas judiciais cabíveis. As defesas também devem acompanhar o avanço das investigações e apresentar suas versões sobre os fatos.
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