Brasil vai às urnas para definir presidente e renovar Congresso

Disputa está acirrada, com grande probabilidade de um 2º turno em 25/10

3 out 2026 - 13h39
(atualizado às 14h07)
Resumo
Em uma disputa acirrada e polarizada que deve ir ao segundo turno, o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro disputam o comando do país em meio a visões antagônicas de geopolítica e alianças internacionais. O pleito também renova governos estaduais e o Congresso Nacional, sob forte monitoramento externo devido ao peso econômico e ambiental do Brasil. O resultado definirá os rumos da democracia, da economia e das relações exteriores, tendo a região Sudeste como o principal fiel da balança.

Ninguém pode antecipar com certeza o resultado da disputa entre o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). As pesquisas apontam uma corrida acirrada rumo ao segundo turno, agendado para 25 de outubro.

Disputa está acirrada, com grande probabilidade de um 2º turno em 25/10
Disputa está acirrada, com grande probabilidade de um 2º turno em 25/10
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em jogo não está apenas a definição do chefe do Executivo, mas o papel geopolítico do gigante sul-americano e suas futuras relações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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O candidato petista historicamente defende o multilateralismo. Na Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, reafirmou que o país "nunca será quintal de ninguém". Flávio, por outro lado, já manifestou a disposição de aderir ao Escudo das Américas, coalizão militar promovida por Washington que reúne lideranças alinhadas na região.

Nas últimas horas, os dois concorrentes desferiram os ataques finais de uma campanha marcada por escândalos judiciais, acusações pessoais, desinformação, guerra religiosa e pressões externas.

Para Lula, a escolha opõe dois projetos antagônicos: "De um lado está a consolidação democrática e os direitos dos trabalhadores; do outro, a barbárie e o fascismo". Na sequência, o petista fez um apelo aos eleitores com mais de 70 anos.

"Se você não quiser votar por você, vote pelos seus netos, pelos seus filhos e pelo futuro do Brasil", declarou o candidato no ato de encerramento da campanha na Avenida Paulista, em São Paulo.

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Já o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro convocou o eleitorado a um "voto de protesto" contra a corrupção e em prol da "liberdade econômica, segurança pública e combate aos grupos criminosos".

"O segundo turno está a mais de três semanas de distância, um período que pode impor novos desafios e tensões à história do país", afirmou o senador do PL.

Em paralelo, aliados do candidato intensificaram o debate político ao confirmarem a intenção de Flávio conceder indulto ao pai, atualmente sob prisão domiciliar após condenação de mais de 27 anos por participação em tentativa de golpe de Estado.

Diante do clima de forte polarização, analistas consideram improvável que um dos postulantes supere a marca de 50% dos votos válidos neste domingo (4). Assim, salvo surpresas de última hora, a definição das eleições ocorrerá no fim do mês.

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A votação será realizada das 8h às 17h (horário de Brasília), com o reforço de 26 mil militares em seções eleitorais de áreas críticas. Graças à celeridade do sistema eletrônico, os resultados consolidados serão conhecidos poucas horas após o encerramento das urnas. Além do presidente, os eleitores definirão 27 governadores, 513 deputados federais, 54 senadores (dois terços do Senado) e 1.059 deputados estaduais e distritais.

A taxa histórica de abstenção situa-se em torno de 20%, embora a polarização possa reduzir a ausência do eleitorado. O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos, e a ausência não justificada sujeita o eleitor a multa.

Regionalmente, Lula mantém hegemonia histórica no Nordeste ? o segundo maior colégio eleitoral do país, com 43,5 milhões de eleitores ?, enquanto Flávio projeta vantagem no Sul (22,9 milhões), de forte presença da imigração italiana, e no Centro-Oeste (12 milhões), polo do agronegócio. O Norte (13,1 milhões) apresenta um cenário de indefinição.

Como de costume, o fiel da balança reside no Sudeste (66,3 milhões de eleitores), com atenção redobrada sobre Minas Gerais: desde a redemocratização na década de 1980, todos os presidentes eleitos venceram no estado.

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O desfecho das urnas brasileiras atrai o monitoramento direto da Casa Branca, consciente da relevância geopolítica do país, que é a 11ª maior economia do mundo, detentor do maior PIB do Hemisfério Sul, de 12% das reservas globais de água doce e de 23% das reservas de terras raras, insumo crítico para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia.

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