Brasil ampliou gastos militares em 13% e liderou aumento na América Latina em 2025, aponta relatório

O Brasil foi o país latino-americano que mais ampliou suas despesas militares em 2025, com alta de 13%, totalizando 23,9 bilhões de dólares (R$ 119,6 bilhões), segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês). No mundo, os gastos militares atingiram cerca de 2,9 trilhões de dólares (R$ 14,5 trilhões) no mesmo período.

27 abr 2026 - 07h00
(atualizado às 07h12)
Um caça a bordo do porta-aviões nuclear francês Charles-De Gaulle, em 23 de fevereiro de 2025, nas águas das Filipinas.
Um caça a bordo do porta-aviões nuclear francês Charles-De Gaulle, em 23 de fevereiro de 2025, nas águas das Filipinas.
Foto: RFI

O ano passado marcou o 11º aumento consecutivo dos gastos militares globais anuais desde o fim da Guerra Fria, em um contexto de multiplicação de conflitos e tensões, de acordo com o relatório de referência publicado nesta segunda-feira (27).

Entre os 40 países que mais investem em defesa no mundo, o Brasil ocupa a 21ª posição, seguido pela Colômbia, na 29ª, e pelo México, na 30ª.

Publicidade

Na América do Sul, o gasto militar da Guiana cresceu 16%, alcançando 248 milhões de dólares (R$ 1,24 bilhão) em 2025, "impulsionado pelas tensões crescentes com a Venezuela pela região petrolífera de Essequibo", aponta o documento. Já os dados sobre os gastos de Caracas permanecem indisponíveis devido à falta de informações públicas.

Em relação ao ano anterior, os investimentos globais em armamentos avançaram 2,9%, apesar da redução das despesas militares dos Estados Unidos.

Essa queda foi amplamente compensada pelo aumento dos gastos na Europa e na Ásia, em "um novo ano marcado por guerras e intensificação das tensões", explicou Lorenzo Scarazzato, especialista do Sipri, à AFP.

Os três maiores investidores, Estados Unidos, China e Rússia, concentram pouco mais da metade do total, com 1,48 trilhão de dólares (R$ 7,4 trilhões).

Publicidade

Europa puxa crescimento

O "ônus militar", isto é, a proporção do PIB mundial destinada à defesa, atingiu o nível mais alto desde 2009.

Os Estados Unidos destinaram 954 bilhões de dólares (R$ 4,7 trilhões), uma queda de 7,5% em relação a 2024, principalmente devido à suspensão da ajuda à Ucrânia.

O principal motor da expansão global foi a Europa, incluindo Rússia e Ucrânia, onde as despesas cresceram 14%, somando 864 bilhões de dólares (R$ 4,3 trilhões).

"Isso se explica pela guerra em curso na Ucrânia e pelo recuo dos Estados Unidos na Europa", afirmou Scarazzato. Segundo ele, Washington tem pressionado os países europeus a assumir maior responsabilidade por sua própria defesa.

A Alemanha, quarta maior potência em gastos militares, elevou seus investimentos em 24% em 2025, alcançando 114 bilhões de dólares (R$ 570 bilhões).

A Espanha também ampliou significativamente seus gastos, com alta de 50%, chegando a 40,2 bilhões de dólares (R$ 201 bilhões) e superando, pela primeira vez desde 1994, o patamar de 2% do PIB.

Publicidade

Na Rússia, as despesas cresceram 5,9%, totalizando 190 bilhões de dólares (R$ 951 bilhões), o equivalente a 7,5% do PIB. Já a Ucrânia ampliou seus gastos em 20%, para 84,1 bilhões de dólares (R$ 421 bilhões), o que corresponde a cerca de 40% do seu PIB.

Oriente Médio tem alta moderada

Apesar das tensões persistentes, os gastos militares no Oriente Médio avançaram apenas 0,1%, chegando a 218 bilhões de dólares (pouco mais de R$ 1 trilhão). Enquanto a maioria dos países da região aumentou suas despesas, Israel e Irã registraram queda.

No Irã, houve recuo de 5,6%, para 7,4 bilhões de dólares (R$ 37 bilhões), explicado principalmente por uma inflação anual elevada, de 42%. Em termos nominais, no entanto, os gastos aumentaram.

Em Israel, a redução de 4,9%, para 48,3 bilhões de dólares (R$ 241 bilhões), está relacionada à diminuição da guerra em Gaza, após um primeiro cessar-fogo com o Hamas no início de 2025 e outro a partir de outubro. Ainda assim, os pesquisadores destacam que o nível de gastos permanece 97% superior ao de 2022.

Publicidade

Na região Ásia-Oceania, as despesas militares totalizaram 681 bilhões de dólares (R$ 3,41 trilhões), um aumento de 8,5% em relação a 2024 — o maior crescimento anual desde 2009.

O principal ator regional é a China, que eleva seus gastos de forma contínua há três décadas e destinou cerca de 336 bilhões de dólares (R$ 1,68 trilhão) em 2025, destacou o pesquisador do Sipri.

"Mas o ponto central provavelmente está na reação de outros países, como Coreia do Sul, Japão e Taiwan, diante da percepção de ameaça", afirmou.

Um funcionário monta um canhão Caesar nas instalações da fábrica de armas franco-alemã KNDS em Bourges, região central da França, em 21 de março de 2025.
Foto: AFP - JEAN-FRANCOIS MONIER / RFI

América Latina

O relatório indica que os gastos militares na América Central e no Caribe caíram 27% em 2025, para 17,1 bilhões de dólares (R$ 85,6 bilhões), embora tenham crescido 64% ao longo da década 2016-2025.

Segundo o documento, as tendências nessa sub-região são fortemente influenciadas pelo México, que reduziu suas despesas em um terço em 2025, para 13,6 bilhões de dólares (R$ 68 bilhões). Em 2024, porém, o país havia elevado seus investimentos militares em 71%.

Publicidade

Na América do Sul, por outro lado, os gastos militares alcançaram 56,3 bilhões de dólares (R$ 282 bilhões) em 2025, alta de 3,4% em relação a 2024 e de 5,7% na comparação com 2016.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
TAGS
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações