Bolsonaro é internado na UTI com broncopneumonia, e Flávio volta a pedir prisão domiciliar

O ex-presidente foi internado nesta sexta-feira (13/3) no hospital DF Star, em Brasília, onde está recebendo tratamento. Família critica manutenção do presidente em regime fechado.

13 mar 2026 - 13h27
(atualizado às 14h36)
Bolsonaro teve febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios, diz hospital onde ele está internado nesta sexta-feira (13/3)
Bolsonaro teve febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios, diz hospital onde ele está internado nesta sexta-feira (13/3)
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado nesta sexta-feira (13/3) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital DF Star, em Brasília, após exames confirmarem que ele tem uma broncopneumonia bacteriana bilateral.

Condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado, Bolsonaro foi autorizado a ir ao hospital pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após se sentir mal em sua cela.

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"O hospital DF Star informa que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro deu entrada nesta unidade após apresentar quadro de febre alta, queda da saturação de oxigênio, sudorese e calafrios", informou o hospital, em comunicado.

Ainda segundo o DF Star, o ex-presidente foi submetido a exames de imagens e laboratoriais que confirmaram a pneumonia, "de provável origem aspirativa".

A broncoaspiração ocorre quando algum conteúdo do estômago, saliva ou alimentos entra nas vias respiratórias e chega aos pulmões, podendo provocar inflamação e, em alguns casos, evoluir para pneumonia.

Bolsonaro está sendo tratado com antibióticos venosos e com suporte clínico não invasivo, informou ainda o DF Star.

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Antes de ser levado ao hospital, ele chegou a ser examinado no próprio 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde cumpre pena, segundo a decisão do STF que autorizou a saída do ex-presidente.

"Bolsonaro apresentou quadro súbito de mal-estar em sua cela e, após avaliação clínica inicial realizada no próprio local, foi constatada a necessidade de remoção hospitalar", escreveu o ministro Alexandre de Moraes na decisão.

Visitas só com autorização expressa

Moraes autorizou que Bolsonaro seja acompanhado no hospital pela esposa Michelle, podendo receber visitas dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, e da enteada Letícia.

O ministro também estabeleceu que Bolsonaro seja acompanhado por segurança e fiscalização 24 horas durante a internação, com a presença de, no mínimo, dois policiais militares na porta do quarto de hospital.

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E vedou a presença na UTI e no quarto hospitalar de qualquer celular, computador ou dispositivos eletrônicos não relacionados ao cuidado médico.

Outras visitas a Bolsonaro no hospital só poderão ocorrer com expressa autorização judicial, explicitou Moraes na decisão.

Na quinta-feira (12/3), o ministro do STF havia proibido a visita de Darren Beattie, conselheiro do governo dos Estados Unidos, a Bolsonaro na Papudinha.

Dois dias antes, ele havia autorizado o encontro, mas mudou de posicionamento, após avaliação do Itamaraty de que a reunião poderia representar ingerência estrangeira em assuntos internos do país em ano eleitoral.

No DF Star, Bolsonaro deverá ser acompanhado por ao menos dois policiais militares durante toda a internação, determinou o STF
Foto: AFP via Getty Images / BBC News Brasil

Flávio volta a pedir prisão domiciliar

Bolsonaro esteve no DF Star em 7 de janeiro, quando realizou exames após ter caído na prisão e batido a cabeça na madrugada.

Pouco antes, ele havia passado por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha e outros procedimentos para conter o quadro de soluços durante o Natal.

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O ex-presidente sofre com as sequelas da facada que levou no abdômen durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, ele passou por diversas cirurgias.

A defesa do ex-presidente chegou a encaminhar ao STF um pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário, alegando que o estado de saúde de Bolsonaro poderia ser agravado pelo cumprimento da pena em regime fechado.

O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes e Bolsonaro retornou à sede da PF no dia 1º de janeiro.

A decisão foi criticada pela família Bolsonaro, que tem feito campanha para que o ex-presidente cumpra a pena em regime domiciliar.

Em uma carta compartilhada nas redes sociais ainda em janeiro, Carlos Bolsonaro disse que as medidas de Moraes "violam garantias constitucionais básicas" e que a manutenção do pai na Polícia Federal expõe Jair Bolsonaro a "riscos".

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Em março, Moraes voltou a negar o pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro.

Na decisão, ele argumentou que as instalações da Papudinha oferecem atendimento médico adequado.

Além disso, o ministro afirmou que a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, ocorrida no ano passado, também impede o deferimento do pedido.

Após a nova internação nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, criticou as negativas da prisão domiciliar e afirmou que estão brincando com a vida do pai dele.

"Mais uma vez, reforço aqui, que estão brincando com a vida do meu pai. Não dá mais pra ficar com essa postura de achar que isso aqui é algum tipo de frescura, ou ficar com essa paranoia de que ele pode fugir, cumpra-se a lei. O mínimo que ele deveria ter é essa domiciliar humanitária em casa, onde ele pode ter cuidado permanente da família", disse Flávio.

Após a internação, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, publicou uma nota na rede social X cobrando novamente a transferência do ex-presidente para o regime de prisão domiciliar.

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A defesa argumenta que o sistema prisional não tem condições de oferecer os cuidados médicos necessários e afirma que o risco de agravamento da saúde já havia sido alertado em laudos anteriores.

Cunha Bueno destacou ainda a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor, também acometido por problemas de saúde.

O que é broncopneumonia e quais os sintomas

A pneumonia é uma doença provocada por micro-organismos (vírus, bactéria ou fungo) ou pela inalação de produtos tóxicos.

A doença pode ser adquirida pelo ar, saliva, secreções, transfusão de sangue ou, durante o inverno, devido a mudanças bruscas de temperatura, segundo informações da Fiocruz.

No caso de Bolsonaro, a broncopneumonia é causada por bactérias e acomete ambos os pulmões, por isso é chamada de bilateral.

Ainda no caso do ex-presidente, a doença ocorreu por provável aspiração, quando substâncias estranhas (saliva, alimentos, vômito) entram nas vias aéreas e chegam aos pulmões, trazendo bactérias da boca e faringe ou causando inflamação química pelo ácido gástrico.

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Esse material estranho causa infecção no tecido pulmonar, resultando em pneumonia aspirativa

Os sintomas mais comuns de pneumonia, segundo a Fiocruz, são:

  • tosse com secreção (pode haver sangue misturado),
  • febre alta (que pode chegar a 40°C),
  • calafrios,
  • falta de ar,
  • dor no peito durante a respiração.

O diagnóstico é feito por exame clínico e raio-x do tórax. Exames complementares também podem ser necessários para identificar o agente causador da doença.

O tratamento depende do micro-organismo causador da doença. Nas pneumonias bacterianas, são usados antibióticos, como é o caso do ex-presidente.

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