A tradicional combinação de arroz e feijão é essencial para a nutrição infantil por fornecer proteínas completas e ricas em aminoácidos. Segundo estudo da USP, o consumo frequente da dupla melhora a qualidade da dieta, reduz inadequações nutricionais em 44,5% e barateia as refeições em 38%. Além disso, os alimentos auxiliam no manejo da seletividade alimentar infantil e reforçam o consumo de comida caseira, mantendo-se como base alimentar saudável e acessível em mais de 90% dos lares brasileiros.
A combinação de arroz e feijão é um dos símbolos da comida brasileira e continua sendo apontada por especialistas como uma das bases mais importantes para a nutrição infantil. Presente na rotina da maioria das famílias do país, a dupla reúne nutrientes essenciais ao crescimento, favorece uma alimentação equilibrada, incentiva o consumo de alimentos minimamente processados e costuma ter boa aceitação entre crianças com seletividade alimentar.
"Ambos são ricos em aminoácidos, o que o nosso corpo não produz e precisa obter por meio da alimentação. O feijão é rico em lisina e pobre em metionina. Já o arroz é exatamente o contrário. Com essa combinação, temos uma fonte completa de proteína", explica a nutricionista infantil Janine Pruinelli.
As evidências científicas reforçam essa avaliação. Estudo do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens-USP), publicado na revista Public Health Nutrition, analisou dados de 46.164 brasileiros de todas as regiões do país e constatou que os participantes que mais incluíam arroz e feijão na alimentação apresentaram melhor qualidade nutricional na dieta. Nesse grupo, foram observadas 44,5% menos inadequações nutricionais — indicador que considera tanto a deficiência de fibras, vitaminas e minerais quanto o excesso de açúcar, sódio e gorduras. Além disso, a presença mais frequente da dupla na alimentação esteve associada a uma redução de 38% nos custos das refeições.
Segundo o gastroenterologista pediátrico do Hospital Moinhos de Vento, José Spolidoro, a literatura científica também tem demonstrado o efeito protetor de padrões alimentares baseados em comida caseira e orgânica. "Esse é um pilar fundamental para uma nutrição infantil saudável e equilibrada. A união de arroz e feijão fornece proteína de alta qualidade, importante para o crescimento ao compensar as carências de aminoácidos individuais de cada grão", afirma.
Aliados contra a seletividade alimentar
Outra vantagem dessa dupla é a boa aceitação entre crianças com seletividade alimentar. "O arroz tem sabor neutro e pode receber diferentes temperos ou até ser servido sempre da mesma forma. Nesses casos, a previsibilidade influencia o consumo, então saber que aquele alimento terá características semelhantes facilita a aceitação", explica Janine Pruinelli.
Já o feijão, por apresentar duas texturas, o caldo e os grãos, pode representar um desafio quando a seletividade também está relacionada à textura dos alimentos. "Uma estratégia inicial pode ser servir apenas os grãos ou apenas o caldo", orienta a nutricionista. Ela também recomenda o acompanhamento de um profissional capacitado para conduzir o tratamento da seletividade alimentar.
Presença constante na mesa
Semanalmente, o arroz está presente em nove em cada dez lares do país (91,1%), de acordo com pesquisa da Worldpanel by Numerator encomendada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz). O levantamento também mostra que o feijão ocupa papel central na combinação mais tradicional da mesa brasileira, acompanhando a maior parte das preparações com arroz.
"A dupla mantém sua relevância mesmo diante das mudanças na alimentação dos brasileiros. O arroz acompanha esse processo e está presente nas marmitas, nas refeições do dia a dia e em uma ampla variedade de preparações, das receitas tradicionais às mais contemporâneas", destaca o presidente da Abiarroz, Renato Franzner.
A nutricionista infantil Janine Pruinelli ressalta que a formação dos hábitos alimentares começa dentro de casa. "Quando a família consome arroz e feijão com frequência, a criança passa a conviver naturalmente com esses alimentos. Ver pessoas de confiança os consumindo aumenta a disposição para experimentá-los e incorporá-los à rotina", afirma.