Após ter o passaporte retido por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL) teria fugido para os Estados Unidos com a família, com auxílio de aliados e articulação junto ao governo Trump. Alvo de inquéritos no Supremo sobre lavagem de dinheiro em bets e o financiamento de um filme, o parlamentar viajou sem reconhecer a vitória de Lula na eleição presidencial, embora seu partido já tenha admitido publicamente o resultado das urnas.
Após não entregar seu passaporte à Polícia Federal, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos, segundo informações divulgadas por veículos de imprensa que citaram pessoas próximas à família do candidato derrotado na disputa pela Presidência da República.
Desaparecido desde a manhã desta terça-feira (27), o parlamentar estaria em um voo com destino ao território americano, onde vive seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato por excesso de faltas. Na semana passada, ele defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição.
O último contato de Flávio teria ocorrido por volta das 8h (horário de Brasília), quando informou a Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, que estava "esfriando a cabeça". Na ocasião, o senador não esclareceu se havia deixado o país.
O jornal Folha de S.Paulo, citando fontes que disseram ser contrárias à saída do senador, informou que a decisão de viajar teria sido tomada logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter intimado Flávio a entregar o passaporte.
Já o jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, apontou que a fuga recebeu o auxílio de um grupo de aliados no Brasil e nos EUA, que acionaram governo de Donald Trump para garantir a entrada do político. Ele teria viajado com a família e deverá entrar na nação pela Flórida.
O trajeto exato do parlamentar, no entanto, segue incerto. Uma das informações divulgadas aponta que ele teria viajado a partir da Argentina. Contudo, o governo de Javier Milei, aliado de Flávio, afirmou não ter registros da entrada do senador no país.
O político está na mira de dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, Flávio é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets. Em outro, ele é alvo de uma investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio não reconheceu a derrota para Lula, mas não protocolou uma ação solicitando a anulação da eleição em razão do prolongamento do horário de votação. O Partido Liberal, contudo, reconheceu publicamente a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos. .