Após animal encalhar repetidas vezes, especialistas avaliam que novas tentativas de forçar baleia enfraquecida a deixar a área configurariam crueldade animal. "Agora está nas mãos de Deus", afirma secretário.O drama da baleia-jubarte que encalhou em águas rasas na costa alemã do Mar Báltico caminha para um desfecho trágico.
Na tarde desta quarta-feira (01/04), equipes de resgate anunciaram o abandono de novos esforços para salvar o animal, que tem mostrado sinais vitais cada vez mais fracos após encalhar repetidas vezes na costa do estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
Desde 23 de março, equipes trabalharam sistematicamente para soltar o animal, que tem entre 12 e 15 metros de comprimento, mas a cada nova tentativa bem-sucedida o animal voltava a encalhar. No início desta semana, a baleia começou a demonstrar sinais de enfraquecimento e apatia crescentes, evitando se mover mesmo quando livre dos bancos de areia.
"Acreditamos que o animal morrerá ali", disse o diretor científico do Museu Oceanográfico Alemão, Burkard Basche, que afirmou que qualquer esforço adicional para forçar a baleia deixar a costa configuraria "pura crueldade animal".
"O princípio da paz máxima e do respeito pela natureza também dita que, eventualmente, devemos deixá-la [a baleia] partir."
Visivelmente emocionado, o secretário de Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, disse que a baleia parece ter decidido parar de lutar. "Nós fizemos de tudo para dar à baleia uma chance. É uma tragédia. Hoje é um dia muito emocional. Agora está nas mãos de Deus. Eu desejo paz à baleia", disse.
Já um porta-voz da ONG de conservação marítima Sea Shepherd, disse: "Por respeito, esse majestoso animal deve ser deixado em paz para que possa morrer em paz".
Autoridades locais afirmaram que a área foi isolada para evitar que curiosos se aproximem da baleia. Segundo o oceanógrafo Basche, a possibilidade de eutanásia foi descartada por causa de potenciais riscos para o animal e para quem tivesse que executar o procedimento. Ao jornal Bild, o biológo Thilo Maack afirmou que é difícil estimar em quanto tempo a baleia vai morrer. "Pode demorar alguns dias", disse.
Drama que emocionou a Alemanha
Por mais de uma semana jornais alemães acompanharam intensamente as tentativas de regaste da baleia. O animal inicialmente encalhou numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de "Timmy".
O drama da baleia-jubarte cativou os alemães, com multidões se reunindo na costa enquanto a mídia enviava atualizações detalhadas sobre seu progresso, com vídeos ao vivo do local.
Segundo as autoridades, a baleia-jubarte vagou pelo Mar Báltico por cerca de três semanas. Não está claro por que a baleia nadou até ali, em águas muito longe de seu habitat natural e cujas características não são adequadas para baleias desse porte.
Alguns especialistas dizem que o animal pode ter se perdido ao nadar atrás de um cardume de arenques ou durante a migração.
Em 23 de março, Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein. Após vários dias e uma complexa operação de resgate com o uso de dragas, ela conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
À essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.
As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré na noite de segunda. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico, que agora devem selar seu destino.
jps (dpa, ots, AP)