Segundo as forças armadas nigerianas, bombardeio tinha terroristas como alvo. Anistia Internacional confirmou número de vítimas.Um ataque de aviões militares da Nigéria em um mercado local no nordeste do país resultou, neste domingo (12/04), na morte de pelo menos uma centena de civis, de acordo com organizações de direitos humanos e lideranças locais.
O bombardeio ocorreu na região de Jilli, no estado de Yobe, perto da fronteira com o estado de Borno, área que há mais de uma década é afetada por uma insurgência jihadista do grupo Boko Haram.
A Anistia Internacional afirmou ter confirmado, a partir de depoimentos de sobreviventes, que pelo menos 100 pessoas morreram no ataque ao mercado semanal da localidade. De acordo com a organização, três aviões militares bombardearam a área, e o Hospital Geral de Geidam recebeu ao menos 35 feridos graves.
"Estamos em contato com as pessoas que estão lá, falamos com o hospital. Conversamos com o responsável pelo atendimento às vítimas e com as próprias vítimas", disse Isa Sanusi, diretor da Anistia Internacional na Nigéria, à agência de notícias Associated Press.
Informações obtidas pela agência Reuters indicam um número ainda maior de vítimas. Um conselheiro da região e chefe tradicional da ala de Fuchimeram, em Geidam, afirmou que mais de 200 pessoas teriam morrido após o bombardeio.
A Anistia Internacional cobrou das autoridades nigerianas uma investigação imediata, independente e imparcial sobre o ataque em Jilli e pediu que os responsáveis sejam levados a prestar contas.
Exército da Nigéria fala em "ataques de precisão"
O governo do estado de Yobe confirmou que o ataque aéreo tinha como alvo um reduto do grupo jihadista Boko Haram na região, mas reconheceu que civis foram atingidos. Em comunicado, o assessor militar do governo estadual, general de brigada Dahiru Abdulsalam, declarou que "algumas pessoas que foram ao mercado semanal de Jilli foram afetadas", sem fornecer mais detalhes sobre vítimas.
A Força Aérea da Nigéria informou ter realizado bombardeios contra posições de "terroristas" no nordeste do país e descreveu a operação como ataques de precisão, integrados a ações terrestres do Exército. Em nota assinada pelo porta-voz Ehimen Ejodame, a instituição não mencionou mortes de civis nem fez referência direta ao mercado atingido.
Incidentes desse tipo não são inéditos no país. As Forças Armadas da Nigéria recorrem com frequência a ataques aéreos com o intuito de combater grupos armados que se escondem em vastas áreas florestais. Segundo uma contagem da Associated Press, pelo menos 500 civis morreram em bombardeios desse tipo desde 2017.
O nordeste da Nigéria é palco da violência do Boko Haram desde 2009, conflito que se agravou a partir de 2016 com o surgimento de uma facção dissidente, o Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP). Nos últimos meses, os combates se intensificaram, inclusive após uma série de ataques aéreos lançados no fim de dezembro de 2025 por forças dos Estados Unidos em conjunto com unidades nigerianas contra posições jihadistas no noroeste nigeriano.
fcl (AP, Reuters, EFE)