Eleitores do Peru votam em acirrada corrida presidencial e segundo turno se aproxima

12 abr 2026 - 15h05

Os eleitores do Peru foram ‌às urnas neste domingo para eleger um novo presidente e membros do Congresso, votando em um primeiro turno com mais de 30 candidatos presidenciais após anos de turbulência política que corroeram a confiança nas instituições e deixaram a população profundamente desiludida.

Sem um líder claro e com todos os principais candidatos com pesquisas bem abaixo dos 50% necessários para vencer de primeira, parece provável que haja um segundo turno ⁠em 7 de junho. Isso poderia prolongar a incerteza no terceiro maior produtor de cobre do mundo, em ‌um momento de aumento da criminalidade e intensificação da competição por influência entre os Estados Unidos e a China.

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As seções de votação foram abertas às 7h, horário local, com cerca de 27 milhões ‌de pessoas aptas a votar.

No início do dia, eleitores em ‌áreas de Lima reclamaram que várias seções eleitorais ainda não haviam sido abertas.

Margarita Sandoval, de ⁠35 anos, disse que esperou na fila por duas horas sem conseguir entrar em sua seção eleitoral em Chorrillos, distrito ao sul da capital.

"Tenho que trabalhar e não posso votar", disse Sandoval. "Essas eleições são um desastre."

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Outros disseram que a disputa concorrida dificultou a decisão. "Só decidi em quem votar há cerca de uma semana", disse Benjamin Alcantara, de 33 anos, assistente de loja.

ESPECTRO IDEOLÓGICO

Desde 2018, o Peru passou por oito ‌presidentes, alimentando o ceticismo de que qualquer nova administração dure um mandato completo de cinco anos, após uma ‌vertiginosa rotatividade impulsionada por impugnações, ⁠escândalos de corrupção e coalizões ⁠governamentais fracas que paralisaram a tomada de decisões.

"As pessoas realmente desprezam o atual Congresso", disse Martin Cassinelli, do Atlantic ⁠Council. "Elas o reconhecem como responsável pelo caos político que ‌tivemos nos últimos dez anos", acrescentou.

A ‌desconfiança política alimentou um terreno fértil que abrange todo o espectro ideológico, incluindo políticos experientes, um empresário de extrema-direita e um comediante de televisão.

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Entre os mais conhecidos está a conservadora Keiko Fujimori, em sua quarta candidatura presidencial depois de chegar ao segundo turno em todas as três anteriores.

Educada ⁠nos EUA e líder do poderoso partido Força Popular no Congresso, Fujimori se apresenta como garantidora da ordem e da estabilidade econômica, atraindo os eleitores alarmados com o aumento da criminalidade. Sua candidatura continua polarizada, no entanto, devido ao legado de sua família e aos problemas legais do passado.

Ricardo Belmont, ex-prefeito de Lima, concorre pelo Partido Obras Cívicas, de ‌centro-esquerda, e subiu para o segundo lugar após um aumento tardio em seu apoio. Ele é seguido pelo popular comediante Carlos Alvarez, que faz campanha com uma dura plataforma contra o crime. Ambos são considerados ⁠outsiders que ganharam força ao entrar em um clima anti-establishment mais amplo, segundo analistas.

À direita, o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, um rico empresário, fez campanha com uma plataforma ultraconservadora, mas viu seu apoio oscilar.

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A insegurança pública surgiu como o tema dominante da campanha. Os homicídios e a extorsão aumentaram nos últimos anos, impulsionados em parte pelo tráfico de drogas e pela mineração ilegal. A maioria dos principais candidatos propôs a expansão do papel das Forças Armadas na segurança interna.

A eleição também traz implicações geopolíticas. O aprofundamento da relação econômica do Peru com a China -- agora seu maior parceiro comercial e um grande investidor em mineração e infraestrutura -- levantou preocupações em Washington, que intensificou o envolvimento diplomático e de segurança antes da votação.

Quem quer que avance para o segundo turno enfrentará um Congresso fragmentado e um Senado recém-reintegrado, o que pode complicar os esforços para aprovar propostas e aumentar o risco de novas batalhas de impeachment.

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