Anda exagerando na cúrcuma? Saiba como especiaria pode prejudicar o seu fígado

O uso indiscriminado de substâncias naturais, como a cúrcuma, em altas doses pode causar lesões hepáticas graves e reações inflamatórias severas no organismo

21 abr 2026 - 21h23

A busca por soluções naturais para dores e inflamações tem levado um número crescente de brasileiros ao consumo de suplementos de cúrcuma, mas o que parece inofensivo pode esconder riscos severos à saúde. Embora o tempero seja valorizado por suas propriedades antioxidantes, o abuso da curcumina, seu principal componente, acendeu um alerta na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e em órgãos reguladores de países como França e Canadá.

Suplementos de cúrcuma podem causar lesões no fígado
Suplementos de cúrcuma podem causar lesões no fígado
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

O consumo em excesso da cúrcuma

O fígado é o órgão que mais sofre com essa exposição excessiva, pois é o responsável por metabolizar substâncias e eliminar toxinas do corpo. Fernando Pandullo, hepatologista do Hospital Israelita Einstein, explicou a gravidade da situação para a Folha "A curcumina, quando ingerida em altas doses, pode causar lesões hepáticas, mas os mecanismos por trás disso ainda não estão completamente elucidados". Segundo o especialista, uma das principais hipóteses é que o sistema imunológico reaja à substância provocando uma inflamação direta no órgão. Pacientes que já possuem condições pré-existentes como cirrose, esteatose ou hipertensão estão em um grupo de risco ainda mais vulnerável a esses danos.

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Os sintomas de que o suplemento está prejudicando o organismo incluem cansaço extremo, perda de apetite e icterícia, caracterizada pelos olhos e mucosas amarelados. Fernando Pandullo tranquiliza sobre a recuperação, afirmando que "o quadro costuma ser revertido em poucas semanas após a suspensão do suplemento". Contudo, os danos não se limitam ao sistema hepático. Diogo Toledo, nutrólogo do Einstein,  contou à Folha que "a curcumina em doses elevadas também irrita a mucosa do trato gastrointestinal, causando náuseas, dores abdominais e diarreia". Existe ainda um perigo invisível nas interações medicamentosas, especialmente com o uso de anticoagulantes. Toledo faz uma observação crítica sobre o comportamento dos consumidores ao notar que "essa ideia está tão enraizada que as pessoas tomam suplementos na maior tranquilidade, algo que jamais fariam com medicamentos". O especialista alerta que até vitamínicos comuns oferecem riscos, pois as vitaminas lipossolúveis como A, D, E e K se acumulam no organismo e podem atingir níveis tóxicos se consumidas sem orientação específica.

A especiaria na cozinha

No âmbito da culinária, o cenário é completamente diferente e considerado seguro. A cúrcuma em pó, extraída do rizoma da Curcuma longa, possui baixa biodisponibilidade quando usada apenas como tempero, o que impede que a substância atinja concentrações perigosas no sangue. A nutricionista Vanderlí Marchiori, da Associação Brasileira de Fitoterapia, aponta que o perigo real surge em formulações tecnológicas. Ela destaca que "há ainda a combinação da curcumina com a piperina, substância encontrada na pimenta-do-reino, que também promove o aumento da biodisponibilidade". Esse tipo de combinação, comum em cápsulas importadas, potencializa a absorção e, consequentemente, o risco de toxicidade. Para garantir os benefícios anti-inflamatórios sem comprometer a saúde, os especialistas são unânimes: a suplementação deve ocorrer apenas sob prescrição médica após a comprovação de deficiências por exames, mantendo o uso da cúrcuma restrito ao preparo de alimentos, onde ela brilha como estrela de molhos e pratos saudáveis.

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