Alta performance aos 40: quais os segredos da longevidade de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi?

Os craques quebram recordes históricos e desafiam o tempo no esporte; a medicina aponta quais fatores biológicos sustentam carreiras tão longas

17 jun 2026 - 14h40

O talento indiscutível com a bola nos pés e o status de ídolos eternos nos principais clubes da Europa unem as biografias dos craques. Estamos falando da dupla de atacantes  Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Um aspecto em comum chama a atenção do público por parecer distante da realidade das pessoas 'normais'. É que os jogadores mantêm uma alta performance física mesmo após ultrapassarem a barreira dos 35 anos.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi chegam ao Mundial esbanjando alta performance perto dos 40 anos
Cristiano Ronaldo e Lionel Messi chegam ao Mundial esbanjando alta performance perto dos 40 anos
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

Cristiano Ronaldo e Messi

Nesse sentido, a dupla de atacantes desembarca no torneio mundial integrando uma lista seleta de atletas veteranos na competição. Cristiano Ronaldo participa das disputas aos 41 anos de idade com um vigor físico impressionante. Por sua vez, o meia Lionel Messi compete nos gramados norte-americanos prestes a completar 39 anos de vida.

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O meio-campista croata Luka Modric também representa essa velha guarda do esporte aos 40 anos. O craque argentino inclusive alcançou a marca de 16 gols na história das Copas ao balançar as redes três vezes contra a seleção da Argélia. "Messi faz o primeiro hat-trick da Copa do Mundo 2026 e o seu primeiro em Mundiais na carreira"

Por outro lado, o rendimento prolongado desses profissionais levanta diversos questionamentos entre os preparadores físicos e os torcedores. Os cientistas buscam desvendar quais segredos estruturais sustentam o funcionamento do organismo desses atletas por tanto tempo. Os médicos apontam três pilares fundamentais para justificar a manutenção da excelência mecânica dos jogadores no futebol moderno. O sucesso decorre da combinação entre a herança genética, a disciplina da rotina e as inovações da traumatologia desportiva.

O peso da carga genética e as respostas biológicas

Contudo, os profissionais da saúde relembram que a capacidade de estender a atividade profissional nessa idade constitui uma raridade no esporte. A presença de referências famosas no torneio de seleções não indica uma alteração real na idade média das equipes integradas. As referências servem como inspiração para a busca de uma rotina ativa, mas o esporte competitivo não dita regras para os cidadãos comuns. O professor Bruno Gualano preside o Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP e analisa a influência hereditária no processo. Ao portal O Globo, ele diz:

"Quando você pensa em um jogador como o Cristiano Ronaldo, por exemplo, que tem um físico bastante privilegiado em relação a outros jogadores, a genética de fato tem um papel bastante relevante e não pode ser subjugada em relação a outros fatores comportamentais"

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Da mesma forma, o DNA do indivíduo dita a velocidade de recuperação muscular após a realização de treinos intensos. A estrutura celular responde de maneiras distintas aos estímulos da carga de exercícios dependendo do código genético de cada pessoa. O pesquisador pondera que um cidadão comum pode copiar integralmente a rotina de exercícios do atacante português sem obter os mesmos resultados fisiológicos. A capacidade de adaptação biológica varia de acordo com o arranjo genético que o atleta carrega desde o nascimento.

Os limites da comprovação científica e o treinamento

O fisiologista Hamilton Roschel leciona na Faculdade de Educação Física e Esporte da USP e adota uma postura cautelosa sobre o tema. Também ao site O Globo, o docente concorda com a existência provável de um componente familiar favorável para a extensão das carreiras nos gramados. No entanto, ressalta que a literatura médica atual carece de demonstrações estatísticas consistentes para cravar essa relação de causa e efeito. A ciência ainda não isolou um gene específico que garanta a vitalidade celular até a maturidade.

Em suma, a ausência de marcadores genéticos definitivos transfere grande parte do sucesso para as escolhas comportamentais e os investimentos em saúde. O acompanhamento nutricional rigoroso e as técnicas modernas de fisioterapia preventiva evitam o desgaste precoce das articulações dos atletas. Os astros do futebol mundial transformaram o autocuidado em uma rotina empresarial diária para driblar o envelhecimento natural do corpo. Essa dedicação integral permite que os torcedores testemunhem exibições de gala em um período da vida onde a maioria dos profissionais já se aposentou.

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