Alerta de saúde: quatro tipos de remédios populares que podem afetar o seu cérebro no longo prazo

Especialistas analisam como certos remédios podem impactar a memória e o futuro da saúde cerebral

3 mai 2026 - 15h39

A busca pela longevidade e pelo bem-estar mental passa, inevitavelmente, por uma revisão cuidadosa do que guardamos em nossas caixas de remédios. Embora medicamentos para pressão alta e estatinas para o colesterol apresentem benefícios protetivos, estudos recentes acendem um alerta sobre outras classes de fármacos amplamente utilizados, inclusive sem prescrição médica, que podem estar associados a um risco elevado de demência. Especialistas ressaltam que a correlação nem sempre significa causalidade direta, mas a cautela no uso prolongado é fundamental para a preservação cognitiva.

Descubra quais remédios comuns podem aumentar o risco de demência
Descubra quais remédios comuns podem aumentar o risco de demência
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Um alerta para remédios específicos

Os anticolinérgicos, que incluem os anti-histamínicos de primeira geração usados para alergias e insônia, figuram como a classe com evidências mais robustas de impacto negativo. Esses remédios bloqueiam a acetilcolina, um mensageiro químico essencial para a memória e a atenção. Shelly Gray, professora da Universidade de Washington, afirma que "o uso ocasional dificilmente aumentará o risco de demência", mas adverte que o uso diário por vários anos pode elevar esse risco em até 50%. Para evitar quedas e danos cerebrais, a recomendação para idosos é priorizar antialérgicos de segunda geração, que não possuem essa atividade agressiva ao sistema nervoso.

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No campo da saúde mental, os antipsicóticos e os benzodiazepínicos também geram debates intensos. Enquanto os primeiros são vitais no tratamento da esquizofrenia, seu uso para conter sintomas comportamentais em idosos já diagnosticados com demência tem sido alvo de esforços globais de redução. "A necessidade imediata de tratamento supera o potencial risco de longo prazo", afirma também segundo Folha, David Llewellyn, da Universidade de Exeter, reforçando que o equilíbrio clínico é a chave. Já os benzodiazepínicos, prescritos para ansiedade, enfrentam o dilema de saber se o risco vem do remédio ou se a própria ansiedade já seria um sintoma precoce do declínio cognitivo.

Por fim, os inibidores da bomba de prótons, usados para o refluxo ácido, apresentam dados conflitantes. Uma das teorias para o risco associado é a possível deficiência de vitamina B12 causada pela alteração da acidez estomacal, o que indiretamente afetaria o cérebro. Diante desse cenário, a orientação médica permanece sendo a ferramenta mais segura para decidir quando o benefício de tratar uma condição urgente justifica a exposição a riscos futuros.

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