A Sociedade Rural Brasileira articulou com produtores, empresas e entidades a criação da cadeia produtiva da agricultura regenerativa em São Paulo, vinculada ao programa SP Produz. A iniciativa visa captar recursos públicos para promover práticas sustentáveis, como conservação do solo, uso de bioinsumos e aproveitamento de resíduos. O grupo busca habilitar a entidade no governo estadual até o fim de outubro para viabilizar linhas de crédito e integrar diversos setores do agro paulista.
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) realizou nesta quarta-feira uma reunião de trabalho para discutir a criação de uma cadeia produtiva voltada à agricultura regenerativa no estado de São Paulo. A proposta reúne a SRB, a PROJAPE e o GAAS - Grupo Associado de Agricultura Sustentável, com a participação de produtores, empresas e representantes de diferentes segmentos da cadeia agropecuária.
A iniciativa está relacionada ao programa SP Produz, do Governo do Estado de São Paulo, que reconhece e apoia cadeias produtivas locais. A intenção, neste primeiro momento, é habilitar a Sociedade Rural Brasileira como entidade capaz de atuar na organização dessa cadeia e, posteriormente, desenvolver projetos e buscar recursos públicos para iniciativas relacionadas à agricultura regenerativa.
Durante a reunião, os participantes destacaram que o conceito de agricultura regenerativa amplia a discussão sobre sustentabilidade no campo. A proposta considera não apenas o resultado econômico da produção, mas também a recuperação e a conservação do solo, a utilização racional de insumos e a preservação dos recursos naturais.
Entre os pontos discutidos está a necessidade de reduzir a dependência de insumos externos e ampliar o acesso do produtor a alternativas biológicas, orgânicas e outras tecnologias capazes de contribuir para a regeneração do solo. A avaliação apresentada durante o encontro é de que, à medida que a qualidade e a disponibilidade de nutrientes no solo aumentam, pode haver redução da necessidade de reposição de determinados insumos e, consequentemente, dos custos de produção.
Outro tema foi o acesso ao crédito. Os participantes lembraram que, embora já existam linhas de financiamento relacionadas a práticas regenerativas e insumos como pó de rocha, ainda há desafios para que o produtor consiga financiar de maneira mais ampla sistemas de produção baseados em soluções biológicas e regenerativas.
O projeto pretende reunir diferentes elos e atores da cadeia produtiva: fornecedores de insumos e serviços, produtores rurais, empresas de transformação industrial, comercialização e distribuição, além de instituições de apoio, pesquisa, ensino e poder público.
A reunião também abriu espaço para iniciativas ligadas à compostagem e ao aproveitamento de resíduos orgânicos. Um dos exemplos apresentados foi o desenvolvimento de pesquisas para utilização do aguapé, planta aquática que se prolifera em determinados corpos d'água do estado de São Paulo e pode representar, segundo os participantes, tanto um problema ambiental quanto uma fonte potencial de biomassa para compostagem.
Empresas presentes ao encontro relataram pesquisas com diferentes fontes de matéria orgânica e a busca por tecnologias capazes de transformar resíduos em insumos para a agricultura. Também foram mencionadas pesquisas com algas marinhas e outras fontes alternativas de nutrientes, dentro da perspectiva de ampliar as opções disponíveis ao produtor brasileiro.
A proposta prevê ainda a integração de produtores de diferentes culturas e regiões. Café, macadâmia, cana-de-açúcar, eucalipto, alimentos e outras atividades podem fazer parte dessa rede, seja como produtores, consumidores de insumos regenerativos, empresas de transformação ou instituições de apoio.
Segundo as informações apresentadas na reunião, o programa estadual trabalha com diferentes níveis de maturidade das cadeias produtivas. A classificação considera critérios como organização, participação dos atores, estrutura da cadeia, mercado e resultados. O reconhecimento inicial não significa automaticamente a liberação de recursos: a apresentação de projetos e o cumprimento de metas e resultados são etapas posteriores.
Próximas etapas
O primeiro desafio é cumprir a etapa de habilitação jurídica, prevista no edital entre 14 e 28 de setembro. A documentação será encaminhada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.
A análise da documentação está prevista para ocorrer entre 29 de setembro e 13 de outubro, com possibilidade de recurso. O resultado definitivo da habilitação está previsto para 29 de outubro.
Na sequência, entre 30 de outubro e 10 de novembro, deverá ser apresentado o planejamento estratégico de negócio, incluindo informações que permitam a classificação do nível de maturidade da cadeia produtiva.
A reunião realizada nesta quarta-feira teve, portanto, caráter preparatório. A proposta é realizar um novo encontro, em outubro, com maior participação dos integrantes da cadeia, para avançar na organização do projeto e na documentação necessária.
A agricultura regenerativa surge, assim, como uma nova frente de articulação entre produtores, empresas, pesquisa e instituições públicas e privadas, com o objetivo de desenvolver soluções que conciliem produtividade, redução de custos, conservação do solo, aproveitamento de resíduos e sustentabilidade econômica e ambiental no campo paulista.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Perfil Brasil.