SP: mãe de mulher arrastada por 1 km na Marginal Tietê revela que filha acordou do coma antes de morrer

Tainara Souza Santos foi atropelada e arrastada por Douglas Alves da Silva, acusado de feminicídio

30 mai 2026 - 16h31
(atualizado às 18h00)
Familiares e amigos de Tainara pedem por justiça em velório: ‘O nome dela nunca será esquecido’
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A mãe da mulher que morreu após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, e ter as pernas amputadas revelou que a filha chegou a despertar do coma e conversar com ela durante dez dias antes de morrer.

O relato inédito foi feito por Lúcia Aparecida Souza da Silva à TV Globo pouco antes de a Justiça decidir que Douglas Alves da Silva, acusado de feminicídio, será submetido a júri popular.

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Câmeras de segurança registraram o momento em que Douglas atropela a vendedora Tainara Souza Santos e a arrasta até abandoná-la ainda viva perto de um posto de combustíveis na Marginal Tietê.

Tainara Souza Santos foi velada no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
Tainara Souza Santos foi velada no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Lúcia contou que optou por guardar aquele momento apenas para si, em respeito ao sofrimento vivido pela filha no hospital, e sequer compartilhou a informação com outros familiares. “Mãe, meus filhos estão bem? A senhora está bem?”, perguntou Tainara ao acordar. Lúcia respondeu que todos estavam bem.

Na sequência, segundo a mãe, a vendedora demonstrou ter plena consciência da gravidade do ocorrido. “Mãe, eu sei o que aconteceu. Estou sem as minhas pernas, né? Fui arrastada pelo carro”, disse Tainara.

Mesmo diante do estado delicado de saúde e sabendo que ainda enfrentaria diversos procedimentos médicos, ela afirmou que seguiria lutando. “'Vou lutar, mãe. Isso vai ser pelos meus filhos e por você'”, relembrou Lúcia. Tainara deixou um menino de 12 anos e uma menina de 7.

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Em uma das conversas no hospital, a mãe afirma ter questionado a filha sobre Douglas. “Eu perguntei se ela o conhecia, porque ele dizia que não”, contou.

A resposta, segundo Lúcia, foi imediata: “‘Ele não me conhece? Espera só eu sair daqui para ver se ele não me conhece’”.

Ao ser preso, Douglas afirmou à polícia que não conhecia Tainara. “Não conheço ela, meu rei. Tudo mentira na internet, senhor. A verdade é que teve uma confusão lá dentro, com um cara que estava com ela. Quando ele saiu, falou que ia me matar. Eu voltei e fui para atropelar ele. Não vi ela, não conhecia ela não”, declarou.

Lúcia disse que aproveitou cada instante ao lado da filha durante a internação. Em uma das visitas, perguntou se Tainara gostaria de receber os filhos no hospital. A vítima, porém, preferiu que as crianças não a vissem naquela situação.

A mãe contou ainda que manteve em segredo a informação sobre o despertar da filha mesmo após sua morte. Segundo ela, apenas recentemente conseguiu falar sobre o assunto.

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A revelação foi feita pela primeira vez na última segunda-feira, durante a audiência de instrução realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista.

“Eu queria tirar aquela dor do peito olhando para ele e falando tudo o que eu tinha guardado dentro de mim”, afirmou, referindo-se a Douglas Alves da Silva.

Apesar do sofrimento pela perda da filha, Lúcia diz sentir gratidão por ter conseguido compartilhar aqueles últimos momentos ao lado dela. “Eu me sinto abençoada por ter visto ela acordada e conversando comigo durante dez dias”, disse.

Relembre o caso

O crime aconteceu após uma discussão em um bar na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, na região da Vila Maria, zona norte. Segundo testemunhas, Douglas teria iniciado, por motivos de ciúmes, uma briga com um homem que acompanhava Tainara.

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Imagens de câmeras de segurança mostram Tainara e Douglas discutindo na rua, já fora do bar. Momentos depois, o suspeito entra em um carro preto, acelera e atropela a mulher, que fica presa sob o veículo. O homem que a acompanhava também é quase atingido, mas ele consegue se desvencilhar.

Em seguida, já na Marginal Tietê, Douglas seguiu dirigindo enquanto a vítima era arrastada pela via, conforme vídeos obtidos pelo Estadão.

A jovem só se desprendeu do veículo depois que o suspeito passou pela calçada de um posto de gasolina, a aproximadamente um quilômetro do local inicial do atropelamento.

Tainara foi socorrida por testemunhas e levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli, em estado grave. Mãe de duas crianças, ela precisou amputar as duas pernas em decorrência das lesões.

Douglas foi preso um dia após o crime em um hotel na zona leste da capital. De acordo com a polícia, ele reagiu à abordagem, sofreu um tiro no braço e foi detido na sequência. Conforme as investigações, o rapaz tinha planos de fugir para o Ceará, onde vivem os seus pais.

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Tainara não resistiu aos ferimentos e morreu em 24 de dezembro, no Hospital das Clínicas (HC). Ela foi enterrada no dia 26, no Cemitério da Vila Alpina, na zona leste de São Paulo. Durante o sepultamento, as pessoas protestaram e pediram por justiça pela morte de Tainara.

Fonte: Portal Terra
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