Uma oficial do Ministério das Relações Exteriores foi exonerada após ser reprovada pela banca de heteroidentificação, que confere as características fenotípicas de uma pessoa preta ou parda. Flávia Medeiros foi aprovada no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty, mas teve a exoneração oficializada em publicação no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira, 22.
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Flávia publicou um vídeo em que desabafou sobre o caso nas redes sociais: "Eu fui exonerada do cargo de oficial de chancelaria do Itamaraty menos de dois meses depois de tomar posse, porque a banca de heteroidentificação me considerou uma pessoa de pele clara, cabelos lisos e traços finos".
Na publicação, ela conta que realizou a prova em dezembro de 2023 e, mesmo após passar pelo processo, teve a candidatura negada em março de 2024 por ser considerada 'uma pessoa branca'. Logo após a reprovação, ela questionou a decisão em um processo judicial.
Flávia detalhou que, naquele momento, tomou a decisão sem saber se seria nomeada ao cargo ou chamada para o curso de formação exigido para tomar posse do cargo de oficial de chancelaria.
Ainda em 2024, ela recebeu decisão favorável do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, no Distrito Federal, que, segundo Flávia, entendeu que a 'banca havia cometido equívoco': "O juiz entendeu que era um absurdo e que estava em desacordo com a realidade, que eu era sim uma pessoa negra e poderia continuar concorrendo às vagas reservadas para pessoas pretas e pardas do concurso".
"Em 2025, Itamaraty convocou o cadastro reserva, que era onde eu me encontrava naquele momento dentro do certame, para poder realizar o curso de formação. Fui a Brasília, investi tempo, dinheiro, participei do curso, fui aprovada e garanti minha aprovação final no concurso", explicou.
No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou recurso à decisão, argumentando que a decisão judicial obtida no TRT não dava direito à posse. A AGU apontou, ainda, que Flávia não poderia ter sido nomeada até que o mérito do processo apresentado pela defesa fosse analisado.
"O desembargador que analisou esse recurso entendeu que eu não teria direito a tomar posse, que a posse nunca deveria ter existido, então todos os efeitos da decisão que o juiz havia determinado estariam suspensos. E hoje, dia 22 de maio de 2026, eu fui exonerada do cargo de oficial de chancelaria por causa dessa decisão em segunda instância", lamentou.
O Terra questionou o Itamaraty sobre o caso e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestação.