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"Sou grata por trazer à tona o papel das pessoas com deficiência na sociedade e no processo político do nosso País"

2 nov 2026 - 19h15
Resumo
A socióloga Silvana Gimenes foi exonerada da Secretaria da Pessoa com Deficiência de SP após criticar uma fala capacitista de Flávio Bolsonaro sobre Lula. A demissão ocorreu dois dias após a publicação, gerando repercussão e apoio de movimentos sociais. Embora Silvana aponte motivação política na decisão abrupta do secretário Marcos da Costa, a pasta nega perseguição e alega reestruturação estritamente administrativa. A servidora declarou que o episódio deu visibilidade à luta anticapacitista.

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Silvana Gimenes, demitida da Secretaria da Pessoa com Deficiência de SP após criticar o comentário capacitista de Flávio Bolsonaro sobre Lula, fala com exclusividade ao blog Vencer Limites (Estadão). "Gestores públicos devem trabalhar para todos, independente de cor, credo, classe social ou coloração política".

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Socióloga e mestre em administração, Silvana Gimenes, "mulher bissexual com paralisia cerebral", como ela se apresenta, foi exonerada do cargo de coordenadora de desenvolvimento de programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo dois dias após publicar no Instagram uma crítica à fala capacitista de Flávio Bolsonaro sobre Lula durante o debate da Rede Globo, em 23/10, entre candidatos à Presidência da República.

Bolsonaro fez um comentário a respeito a amputação na mão esquerda de Lula, disse que o candidato - agora, reeleito - "dá com uma mão e tira com os nove dedos". A declaração provocou reações imediatas e Flávio chegou a pedir desculpas.

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"Ao ouvir o 22 chamar Lula de 'nove dedos', apenas constatei o que sempre digo, que o preconceito, o racismo, o capacitismo, a LGBTfobia, podem estar escondidos, e só quem é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter uma deficiência ou uma doença rara ou mesmo uma condição congênita", escreveu Silvana no sábado, 24/10.

Na segunda-feira, 26/10, ela sequer conseguiu chegar no local de trabalho, onde atuava nos últimos três anos. Ao atender um telefonema no caminho para secretaria estadual, foi informada quer seria demitida. A exoneração foi publicada no dia seguinte.

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Foto: Reprodução, / Estadão

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"Quero deixar claro que o ato da minha exoneração partiu do secretário da pasta (Marcos da Costa), e não do governador Tarcisio de Freitas, sendo realizada de forma abrupta", afirma Silvana em entrevista exclusiva ao blog Vencer Limites (Estadão). "Somada a alguns fatores, como o momento político, por ocorrer em uma pasta de governo que cuida da políticas publicas voltada às pessoas com deficiência, cujo o secretário também é pessoa com deficiência, isso reverberou tanto e está gerando essa consciência do que é o capacitismo" diz.

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Em nota oficial, o secretário Marcos da Costa, diz que nenhuma questão pessoal ou manifestação política da servidora motivou sua exoneração. "A decisão foi de minha exclusiva responsabilidade e decorreu de razões estritamente administrativas, relacionadas à necessidade de reorganizar atribuições e funções na estrutura da Secretaria. Desde que assumi a Secretaria, no exercício de meu primeiro cargo público, tenho conduzido a gestão com base em critérios técnicos e no compromisso com os direitos das pessoas com deficiência", declarou.

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Foto: Reprodução. / Estadão

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"Sou grata por ter sido um vetor que trouxe à tona o papel das pessoas com deficiência na sociedade, no processo político do Estado e do nosso País. Que as pessoas percebem que os gestores públicos devem trabalhar para todos independente de cor, credo, classe social ou coloração política", destaca a socióloga.

Silvana Gimenes conta que tem recebido apoio de militantes, por meio de notas públicas de personalidades como Luciana Trindade, a Gata de Rodas, Mãe Silvia Oyayemio Shiwa, Irina Bacci do Movimento SP_Inclusiva, a APOLGBT-SP (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo), a Aliança Nacional LGBTI. E vídeos do deputado federal Paulo Teixera (PT-SP) e das deputadas estaduais paulistas Beth Sahão (PT) e Monica Seixas (Psol).

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"São tantas mensagens de carinho, que isso reacendeu em mim a certeza de que o movimento de pessoas com deficiência pode promover a mudança que desejamos. E que essa é uma pauta importante, deve estar nas diretrizes básicas de qualquer instância de governo", defende Silvana Gimenes.

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