Há 10 anos, em 12 de junho de 2016, os Estados Unidos passavam por um dos piores massacres da sua história. Por volta de 2h da madrugada, um homem armado entrou na Pulse, uma boate LGBTQIA+, em Orlando, na Flórida, matou 49 pessoas e feriu mais de 50 pessoas, deixando a cidade devastada e o mundo em luto por todos os afetados.
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Desde a tragédia, a boate permanecia fechada. Do lado de fora, cartazes, fotos, flores e mensagens homenageavam às vítimas, chamadas de "anjos". Mas, em março deste ano, o espaço que carrega a lembrança do atentado foi demolido.
No lugar da Pulse, a cidade construirá um memorial para homenagear às vítimas. Os planos também incluem a criação de um museu e uma calçada dos sobreviventes -- um trajeto de cerca de três quarteirões rodeado de árvores lembrando os sobreviventes do ataque e suas jornadas de recuperação. O caminho é o mesmo percorrido pelas vítimas na noite da tragédia até o hospital mais próximo. Os três espaços do projeto ficarão em diferentes pontos da mesma região.
A madrugada do massacre
O americano Omar Mateen, de 29 anos, foi o atirador responsável pelo massacre. Às 2h locais (3h do horário de Brasília), ele entrou na boate Pulse e disparou contra as pessoas que estavam no local. Ele também fez alguns dos frequentadores reféns.
Naquela noite, o espaço -- que era uma das maiores casas noturnas de Orlando -- estava realizando uma festa de temática latina. Minutos após o tiroteio começar, a Pulse publicou em sua página no Facebook: "Quem estiver dentro da boate saia e corra".
Mateen estava armado com um rifle de assalto, uma pistola e um tipo de dispositivo suspeito. As armas tinham sido compradas legalmente na semana anterior ao ataque, segundo as autoridades na época.
Após três horas de cerco, a polícia invadiu a boate e matou o atirador. No total, 49 pessoas morreram, sendo a maioria porto-riquenha, e outras dezenas ficaram feridas. Nenhum brasileiro estava na lista oficial de vítimas.
'Cena de filme de terror'
No momento do tiroteio, havia cerca de 320 pessoas dentro da boate. À CNN, um dos sobreviventes, Christopher Hansen, relatou sobre o que presenciou. "Tudo o que vi foram pessoas correndo e gritando. Era como uma cena de um filme de terror", disse. Jon Alamo afirmou que viu o atirador carregando a arma: "Ouvi 20, 40 e 50 tiros. E então a música parou".
Para sobreviver ao ataque, Ángel Colón contou à BBC que ficou no chão e se fingiu de morto. Mesmo assim, passou por momentos de pavor. "Podia ver o agressor atirando em todo mundo, inclusive nos que já estavam mortos."
Ele chegou a ser atingido por três balas, em sua mão, perna e bacia. Já caído, ele disse que Mateen voltou a disparar em direção a sua cabeça, mas matou a mulher que estava exatamente ao seu lado. "Essa pessoa não tinha piedade, não tinha coração", comentou.
O então presidente dos Estados Unidos era Barack Obama. Ele chamou o ataque de "assassinato brutal". "Isso foi um ato de terror e um ato de ódio. Como americanos, estamos unidos em tristeza, indignação e determinação para defender nosso povo", declarou.
Referência nos direitos LGBTQIA+
Inaugurada em 2004, a boate Pulse era uma referência na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ e de imigrantes. O local era frequentado principalmente por jovens e latinos.
O espaço, que foi inaugurado em 2004, também tinha um papel importante na conscientização sobre a prevenção e os riscos do HIV, o vírus causador da Aids.
Segundo a BBC, John, o irmão de uma das fundadoras, Barbara Poma, morreu em 1991 após perder uma batalha de anos contra a Aids. Anos depois, ela e um amigo decidiram abrir a Pulse em memória a ele. O nome, inclusive, é uma homenagem à batida do coração de John. A boate ainda era um espaço para campanhas contra outras doenças, como o câncer de mama.
Atirador e esposa investigados
Filho de pais afegãos, Mateen era um cidadão americano e vivia em Fort Pierce, cidade cerca de duas horas ao sul de Orlando. Ele era descrito como violento, trabalhava em uma empresa de segurança e tinha porte de armas.
As autoridades disseram que, durante o tiroteio, ele ligou para o 911 -- número de emergência -- e jurou lealdade ao líder do Estado Islâmico, grupo conhecido por sua intolerância à comunidade LGBTQIA+.
Ele estava no radar desde 2013, quando foi investigado após supostamente fazer comentários "inflamatórios" sobre propaganda islâmica radical. De acordo com a NBC, o FBI -- serviço de inteligência e segurança dos EUA -- investigou Mateen novamente no ano seguinte e o considerou um potencial homem-bomba suicida. Todas as investigações sobre ele foram encerradas.
Após o ataque, em entrevista à emissora, o pai do atirador também afirmou que o filho havia ficado "muito bravo" ao ver dois homens se beijando. Há relatos ainda de que Mateen visitou a boate Pulse em várias ocasiões.
Noor Salman, a esposa do atirador, também foi investigada na época, julgada e declarada inocente em 2018. A mulher tinha sido acusada de acobertar os planos do marido, de obstrução da justiça e de ajudar uma organização terrorista para cometer um crime.