A Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (AESP) publicou uma nota no domingo, 15, em apoio ao apresentador Ratinho no caso envolvendo a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), que o processa por transfobia. A parlamentar recorreu ao Judiciário após ele ter feito comentários transfóbicos ao vivo.
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Em uma nota publicada nas redes sociais, o órgão afirmou acompanhar a ação judicial com atenção. “A entidade entende que o respeito às pessoas deve sempre orientar o debate público. Ao mesmo tempo, [a entidade] manifesta preocupação com a crescente judicialização de opiniões no ambiente da comunicação social”, declarou a associação.
“O jornalismo, os programas de opinião e os conteúdos transmitidos pelo rádio e pela televisão sempre foram espaços legítimos para análises, questionamentos e críticas sobre temas relevantes da sociedade. A radiodifusão brasileira tem como fundamentos constitucionais a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o direito ao debate público. A judicialização excessiva de opiniões pode gerar efeitos inibidores sobre o jornalismo, os comunicadores e o livre debate de ideias na sociedade", defendeu o órgão.
Entenda o caso
A deputada Erika Hilton protocolou, na última quinta-feira, 12, um pedido de investigação no Ministério Público Federal contra o apresentador e o SBT. No documento, ao qual o Terra teve acesso, aponta-se que Ratinho questionou a legitimidade da eleição de Erika como presidente da Comissão da Mulher e negou reiteradamente a identidade de gênero da parlamentar.
Em sua fala, o apresentador afirmou: “Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. [...] Mulher para ser mulher tem de ser mulher”. Ratinho ainda declarou que para “ser mulher, precisa ter útero” e questionou se Erika seria “deputada ou deputado”. “Não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. [...] Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.