Em 1970, um experimento pioneiro na Califórnia substituiu a brita do asfalto por vidro reciclado triturado, criando o "glasphalt" para reduzir o descarte de embalagens em aterros. A mistura, composta por 63% de vidro moído, provou ser funcional e abriu caminho para uma solução sustentável que, ao longo das décadas seguintes, deixou a ficção científica para ser adotada na pavimentação de grandes centros como Baltimore, Nova York e em rodovias na Austrália.
Em outubro de 1970, uma rua da Califórnia se tornou o cenário de um experimento bastante improvável: substituir boa parte da brita do asfalto por vidro de garrafas descartadas. Como veremos a seguir, a estrada funcionou, mas a parte mais interessante veio depois. Ao longo das décadas seguintes, outras cidades levaram essa ideia muito mais longe — desde as vias reluzentes de Baltimore até toneladas de vidro reciclado sob o tráfego de Nova York e as rodovias australianas de hoje.
Uma rua feita de garrafas
Tudo começou em 26 de outubro de 1970, quando trabalhadores iniciaram a pavimentação de uma rua no parque industrial de Fullerton, na Califórnia, usando um material que mais parecia saído de uma usina de reciclagem do que de uma obra viária. O composto foi batizado de glasphalt: uma mistura de asfalto tradicional com vidro triturado proveniente de garrafas usadas.
O teste cobriu um trecho de aproximadamente 183 metros de extensão com uma camada de cerca de 7,6 centímetros de espessura. A iniciativa respondia a um problema crescente da época: milhões de embalagens de vidro iam parar em aterros sanitários todos os anos, e os pesquisadores queriam checar se esses recipientes poderiam virar matéria-prima para a construção pesada.
63% da mistura era vidro
A receita foi ousada: o agregado mineral era composto por 63% de vidro triturado, 36% de pó de rocha e 1% de cal hidratada, tudo envolvido pelo ligante asfáltico tradicional. As garrafas passavam por moinhos de martelos para serem ...
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