Antonio Filosa é o atual CEO Global da Stellantis, um dos maiores grupos automotivos do mundo (dono de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Ram). Ele assumiu oficialmente o cargo em 23 de junho de 2025, sucedendo a Carlos Tavares.
O executivo concedeu uma entrevista coletiva para imprensa brasileira em São Paulo nesta terça-feira, 7, e afirmou que o índice de nacionalização dos SUVs da Leapmotor será elevado por contarem com motorização Fiat, ou seja, nacional.
A Stellantis, inclusive, revelou na segunda-feira, 6, que irá nacionalizar a tecnologia REEV, em uma espécie de versão "ultra-híbrida flex", fazendo com que o motor 1.5 do C10 também passe a aceitar etanol. Vale frisar que o B10 terá uma opção com o mesmo sistema montada em Goiana (PE).
O grupo, que detém o controle da operação da marca fora da China, confirmou a produção local do C10, que inaugurou a gama da marca chinesa no Brasil, e anunciou que também fará o recém-lançado B10 no polo automotivo de Goiana (PE).
A fábrica nordestina deve concentrar a produção de modelos híbridos com a tecnologia REEV. Nesse sistema, o motor a combustão funciona exclusivamente para alimentar a bateria e a tração do veículo é feita pelo propulsor elétrico.
A previsão da fabricação do C10 e do B10 é para o primeiro trimestre de 2026 e, segundo Herlander Zola, a curto prazo os dois modelos devem receber a motorização nacional.
"A nossa intenção é aumentar o nível de nacionalização e com adoção do sistema REEV flex já atingimos um nível significativo mesmo com a montagem em SKD", diz Herlander Zola, durante a entrevista coletiva promovida pela Stellantis.
Importante destacar que ambos os modelos chegam ao Brasil sendo montados via CKD e, posteriormente, SKD; portanto, vão pagar uma alíquota extra de imposto atual (de 16% a 18%), oneração que pode chegar a 35% em janeiro de 2027.
Segundo Zola, com o motor nacional os SUVs devem recolher o mesmo imposto que os modelos nacionais, como Jeep Renegade, Commander e Rampage, que atualmente é de 11%.
Não há informação oficial sobre a possibilidade de redução de preço dos dois SUVs no momento que se tornarem 'nacionais', mas existe um expectativa positiva.
"GAP" competitivo com marcas chinesas
Filosa disse ainda que existe um "gap" competitivo das marcas chinesas no mercado. "Um mecanismo de equalização para esse tipo de competitividade deve ser pensado, deve ser implementado", disse o executivo, que acrescentou: "Tenho certeza que o governo é cheio de pessoas muito competentes e capazes para tecnicamente tentar trabalhar este tema."
Ele chegou a citar os Estados Unidos, que chegaram a implementar tarifas de 100% sobre veículos elétricos chineses para proteger a sustentabilidade da indústria.
'Os EUA fizeram o que acho que também no Brasil devia ser feito. Que fez esse estudo técnico e tentou entender qual seria esse 'gap' de competitividade e de que forma proteger a sustentabilidade da indústria automobilística", disse durante entrevista coletiva.