Um projeto feito por fãs que pretendia levar o jogo de navinha espacial GG Aleste 3 ao Mega Drive se transformou em uma polêmica no cenário retrô. Naoki Horii, fundador e presidente do estúdio japonês M2 (detentora dos direitos da clássica franquia Aleste), veio a público declarar que o lançamento não oficial do jogo pode inviabilizar os planos de uma versão comercial e oficial.
O caso tomou proporções ainda maiores após Horii responder diretamente a uma publicação do veículo brasileiro WarpZone, pedindo ajuda à comunidade e aos jornalistas para conscientizar os desenvolvedores do port não autorizado a interromperem o projeto.
O que é o port de GG Aleste 3 no Mega Drive?
Lançado originalmente em 2020 como parte da coletânea Aleste Collection (PS4 e Switch) e também para o Game Gear Micro, GG Aleste 3 foi desenvolvido pela M2 como um título inédito criado do zero para o lendário portátil Game Gear da Sega.
Recentemente, o grupo independente Blast Processing Arcade anunciou ter concluído com sucesso um port do jogo para o Mega Drive, adaptando o visual, removendo problemas de queda de quadros e adicionando uma nova trilha sonora adaptada ao chip de som FM do console (o famoso YM2612).
A repercussão do projeto chamou a atenção no Japão após a WarpZone publicar sobre o feito nas redes sociais. Ao ver a postagem no X/Twitter, Naoki Horii publicou um apelo direcionado à equipe brasileira e aos fãs:
"Eu sou o representante da M2, criador desse jogo e o detentor dos direitos. Nós estávamos no meio de conversas e discussões sobre a possibilidade de novos desenvolvimentos para este jogo. Assim que versões feitas por fãs chegam ao público, esse tipo de projeto [oficial] se torna impossível. Vocês poderiam me ajudar pedindo para que eles não continuem sem autorização?", diz a mensagem.
私はそのゲームを作ったエムツーの代表で、このゲームの権利者です。我々はこのゲームの新たな展開ができないか?と楽しい雑談やしんどい議論を進めていました。
ファンメイドが世にでると、そういう展開は不可能になります。許可無く進めるのを止めてほしいので手伝ってくれませんか?
— ほりい なおき (@hor11) September 16, 2026
Horii revelou que escreveu a mensagem em caráter de urgência, sem consulta prévia aos seus executivos, justamente porque a M2 já estudava a ideia de lançar uma versão do jogo com som FM para consoles domésticos. Na visão do produtor, a distribuição gratuita de uma ROM não oficial compromete a viabilidade comercial perante investidores e distribuidoras.
Em nota em seu portal oficial, a WarpZone confirmou que se colocou à disposição para fazer a ponte e repassar a mensagem do executivo à equipe do Blast Processing Arcade, com a intenção de buscar um consenso ou até mesmo incentivar uma aproximação legal entre as partes.
A situação reacendeu o debate dentro da comunidade de romhacking e jogos retrô:
De um lado, entusiastas argumentam que ports de fãs mantêm jogos clássicos vivos, geram interesse e cobrem lacunas que as desenvolvedoras demoram a preencher.
Do outro, criadores e estúdios alertam que o lançamento precoce de versões não autorizadas fere os direitos autorais e pode cancelar projetos oficiais em desenvolvimento antes mesmo de serem anunciados.
Até o momento, a equipe do Blast Processing Arcade não se pronunciou oficialmente sobre se irá atender ao pedido da M2 ou manter os planos de disponibilização da ROM do Mega Drive.