Durante a COD Next deste ano, que ocorreu na última sexta-feira de forma online, fomos convidados a jogar o novo game da série Modern Warfare, além de conhecer um dos principais lançamentos que, querendo ou não, terá GTA 6 como rival nas futuras temporadas do jogo.
A Infinity Ward precisa provar que devemos olhar com outros olhos para o Call of Duty deste ano, ainda mais depois das polêmicas envolvendo a campanha de Black Ops 7 e do histórico não tão favorável do estúdio após Modern Warfare II. Problemas com o gunplay, mapas e escolhas que ignoravam o feedback dos fãs acabaram sendo desfeitos rapidamente nos títulos seguintes. Agora, a desenvolvedora precisa se provar de fato e garantir que a franquia tenha um ciclo de vida mais tranquilo do que o anterior.
Por conta de ser um beta bem limitado e com poucos jogadores durante o período em que joguei, os mapas e modos disponíveis eram poucos. Transit 213, ambientado em um ferro-velho na Índia, passou a sensação de ser a nova Shipment da série, só que funcionando muito melhor. Rooftops, localizado nos telhados de Nova Iorque, é outro mapa bem divertido, principalmente pela variedade de locais para testar a realização de parkour presente aqui.
Silkworm também estava disponível e foi facilmente um dos mapas mais bonitos do beta. Ele se passa em uma parte isolada da Coreia do Sul, com direito a mercadinhos, lojas com pôsteres de Overwatch e StarCraft, além de um pequeno shopping aberto no meio do cenário. Ruas longas e estreitas completam a estrutura do mapa.
Meu saldo com esses mapas foi bastante positivo, principalmente porque a Infinity Ward não vem tendo um histórico muito bom nessa questão. Depois de Modern Warfare II, a Sledgehammer conseguiu entregar mapas melhores no título seguinte, então era importante ver a Infinity Ward acertando mais dessa vez.
Sobre os modos que joguei, Kill Block foi onde passei mais tempo. Ele segue regras voltadas para o modo Tiroteio, colocando duas equipes para se enfrentarem sem nenhum tipo de renascimento. A cada duas rodadas, as armas disponíveis são alteradas.
O diferencial, por sua vez, está justamente no mapa, que também muda durante a partida. Esse “Block” no nome não é apenas mera ilustração. Sempre que acontece a alteração das armas, o cenário, dividido em três blocos, também sofre mudanças, deixando a experiência diferente a cada rodada. Sem contar que ele possui partes inspiradas em outros mapas da série Modern Warfare, como Crash, meu favorito do jogo de 2007.
O restante dos modos segue aquilo que já esperamos da série, como Mata-Mata em Equipe, Zona de Conflito e Dominação. Também foi possível jogar o novo modo conhecido como Inflação. Ele mistura elementos de Saque com o AAV. É até divertido por essa combinação, mas dificilmente consigo vê-lo ficando muito cheio depois do lançamento, principalmente quando entrar na pesquisa rápida.
Uma das coisas que tornam Call of Duty especial é justamente sua jogabilidade mais arcade e voltada para a diversão. Até isso, porém, recebeu muitas reclamações na última vez em que a Infinity Ward cuidou da série. Um dos principais problemas era a poluição visual das armas, com um recoil muito exagerado.
Desta vez, realmente parece que ouviram esse feedback. A jogabilidade está mais próxima do que foi visto em Modern Warfare III, dando até a sensação de que foi algo que a Infinity Ward realmente quis fazer desde o início. Senti um pouco de saudade do Omnimovement, principalmente pela liberdade que ele oferecia, mas Modern Warfare 4 compensa com mais animações durante o slide, a possibilidade de deitar rapidamente, pular em canos para realizar parkour e outras ações para passar por cima dos objetos.
Quando começaram a divulgar mais informações sobre o multijogador deste ano, fiquei bastante com o pé atrás por conta das armas possuírem muitos níveis. Jogando, porém, deu para notar que o sistema não é tão assustador quanto parecia. De fato, existe um exagero na quantidade de níveis, com algumas armas chegando até o nível 68.
Pode parecer um grind cansativo, mas, ao desbloquear um acessório para determinada arma, caso ele também possa ser utilizado em outra, não será preciso chegar novamente ao nível exigido para liberá-lo. Esse acessório já estará disponível. No fim, esse número alto acaba sendo mais ilustrativo do que realmente uma exigência para chegar até ele, em um sistema bem parecido com o que já existia em Modern Warfare II e Modern Warfare III.
Justamente por ser um beta, este acaba sendo o melhor momento para apontar o que ainda não está bem balanceado e precisa ser mudado até o lançamento, ainda mais porque o jogo chega no próximo mês. Um desses problemas é justamente um velho conhecido da franquia, o respawn. Em muitas partidas, o respawn demorava demais para mudar, causando o temido spawn trap, problema que já fazia algum tempo que não dava as caras na série.
O TTK é outro ponto que está quase perfeito. Desta vez, achei que ele está equilibrado para situações em que não há onde se esconder dos tiros, sem dar muito tempo para reagir. Ainda assim, ficou bastante claro que é mais benéfico utilizar algumas táticas já conhecidas da série na movimentação, como jumpshot e dropshot, que consistem em pular ou deitar enquanto atira.
No quesito gráfico, e por ser o primeiro título da série exclusivo para os consoles da geração atual, dá para dizer que as mudanças são bem tímidas. Olhando para os modelos dos personagens, é visível o upgrade, mas, por ser um jogo em primeira pessoa, o que realmente importa está ao nosso redor e nos cenários. Justamente nessa parte, não tive a sensação de um salto parecido com o que aconteceu em Modern Warfare de 2019.
Após o fim da COD Next, foi possível jogar uma missão da campanha, na qual controlei Park ao lado de seu esquadrão, que conta com Dunn, um velho conhecido de Modern Warfare 2 que finalmente deu as caras no reboot da série. Boa parte dos questionamentos que tinha sobre como a campanha iria funcionar, principalmente olhando para as últimas da franquia, que pareciam mais um tutorial para Warzone do que uma experiência épica como já foi no passado, foram respondidos.
A missão conseguiu passar a sensação de estarmos em uma Terceira Guerra Mundial fictícia, onde nossa missão era chegar até uma usina nuclear e impedir seu colapso. Foram cerca de 20 minutos de uma ação que não sentia na série há bastante tempo. Meu único problema foi terem mantido o uso de placas de proteção tanto para nosso personagem quanto para os adversários. Em dificuldades mais altas, que sempre costumo jogar, isso continua sendo um problema desde que foi introduzido.
Call of Duty: Modern Warfare 4 chega em 23 de outubro para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.