Há 35 anos, Streets of Rage revolucionava a música e a pancadaria no Mega Drive

A trilha sonora de Yuzo Koshiro que fez a briga de rua ganhar outro ritmo

13 ago 2026 - 21h08
Há 35 anos, Streets of Rage revolucionava a música e a pancadaria no Mega Drive
Há 35 anos, Streets of Rage revolucionava a música e a pancadaria no Mega Drive
Foto: Reprodução/Sega

Em agosto de 1991, o Mega Drive recebia no Japão um jogo que, à primeira vista, parecia seguir uma fórmula já conhecida. Três personagens atravessavam ruas tomadas por criminosos, distribuíam socos e chutes e enfrentavam chefes cada vez mais perigosos até chegar ao confronto final. Nada disso era exatamente novidade.

Os beat 'em ups estavam entre os gêneros mais populares nos fliperamas daquela época, impulsionados por sucessos como Double Dragon, Final Fight, Golden Axe e Teenage Mutant Ninja Turtles. A diferença é que a Sega decidiu fazer algo um pouco mais ambicioso com sua própria interpretação do gênero.

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Nascia então Bare Knuckle: Ikari no Tekken - ou Streets of Rage, como ficou conhecido no ocidente. E o jogo não demoraria para provar que uma boa pancadaria poderia ser acompanhada por algo tão importante quanto os próprios golpes: uma trilha sonora capaz de mudar a maneira como os jogadores enxergavam a música nos videogames.

Uma cidade em caos e o trio que fez história

A premissa de Streets of Rage era um retrato perfeito dos filmes de ação policial das décadas de 1980 e 1990. Uma metrópole sem nome caiu sob o domínio de um sindicato criminoso liderado pelo nefasto Mr. X, corrompendo inclusive a força policial. Sem apoio das autoridades, três ex-policiais decidem fazer justiça com as próprias mãos: Axel Stone, Adam Hunter e Blaze Fielding.

Diferente de outros títulos de briga de rua da época que limitavam o elenco a arquétipos genéricos, Streets of Rage oferecia um trio com diferenças claras de velocidade, alcance e força. O grande diferencial de gameplay, no entanto, estava na integração do modo cooperativo para dois jogadores.

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Em uma época em que os consoles domésticos precisavam fazer concessões para manter os jogos rodando com fluidez, Streets of Rage impressionava pela quantidade de ação concentrada na tela. A pancadaria acontecia em ritmo acelerado, com inimigos surgindo constantemente e um sistema de combate que permitia combinar golpes, realizar agarrões e até coordenar ataques entre os personagens.

No Brasil, Streets of Rage encontrou um terreno extremamente fértil. Graças ao trabalho pioneiro de distribuição e fabricação da Tectoy, o Mega Drive era uma presença forte nas salas de estar brasileiras. Para milhões de jogadores no país, o título tornou-se o sinônimo definitivo de jogo cooperativo de fim de semana e presença garantida nas locadoras de fita.

Yuzo Koshiro e a trilha sonora que transformou o som dos games

É impossível falar de Streets of Rage sem destacar sua incrível trilha sonora — um feito técnico e artístico que mudou para sempre a percepção da música em videogames. Comandada pelo lendário compositor Yuzo Koshiro, a trilha sonora original do jogo tornou-se um marco cultural.

Inspirado pelas noites nas danceterias dos Estados Unidos e pela cena emergente do House, Techno, Eurobeat e Breakbeat da época, Koshiro desenvolveu suas próprias ferramentas de programação para extrair o limite absoluto do chip de som do Mega Drive (o lendário Yamaha YM2612).

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Em vez de simples canções de fundo, o som de Streets of Rage parecia um álbum de música eletrônica profissional saindo diretamente do console. Faixas como a música de abertura (The Street of Rage), Keep the Groovin' e Violent Breathing uniam graves encorpados e ritmos dançantes, ditando o tom e o ritmo da pancadaria em cada fase. 

A trilha foi tão aclamada que ultrapassou a barreira dos games, sendo executada em clubes noturnos reais e influenciando produtores de música eletrônica em todo o mundo.

Décadas depois, a trilha continua sendo lembrada como um dos elementos mais importantes da série e como um exemplo de como compositores de videogame começaram a enxergar o hardware não apenas como uma limitação, mas como um instrumento musical.

A pancadaria também tinha personalidade

Apesar de toda a importância da trilha sonora, Streets of Rage não teria sobrevivido apenas pela música. O  combate era direto, mas apresentava algumas características que ajudavam a diferenciá-lo.

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Cada personagem possuía atributos próprios, fazendo com que escolher Axel, Blaze ou Adam influenciasse a maneira de jogar. Também era possível pegar armas espalhadas pelo cenário, agarrar inimigos e utilizar ataques especiais.

E havia o famoso ataque de emergência: ao acionar o ataque especial, uma viatura policial surgia ao fundo e disparava contra os inimigos, limpando boa parte da tela. Era um recurso poderoso — e que, para desespero de muitos jogadores, também podia ser ativado acidentalmente justamente quando a situação ainda estava sob controle.

A Sega combinou personagens carismáticos, cooperação para dois jogadores, cenários urbanos e uma trilha sonora muito diferente do padrão da época. E essa combinação fez o jogo parecer maior do que realmente era.

35 anos depois, a música ainda ecoa

É fácil olhar para Streets of Rage hoje e enxergar apenas mais um beat 'em up clássico do Mega Drive. Mas basta apertar o Start e ouvir os primeiros acordes para perceber que existe algo diferente ali.

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Aqueles sons eletrônicos continuam carregando a atmosfera de uma época em que a música dos videogames estava começando a ultrapassar as fronteiras do simples acompanhamento.

Há 35 anos, a Sega colocou Axel, Blaze e Adam no Mega Drive para enfrentar uma organização criminosa. Sem saber, estava também criando uma das combinações mais marcantes dos 16 bits: pancadaria e música eletrônica em perfeita sintonia.

É por isso que, mesmo depois de três décadas e meia, ainda é difícil ouvir aquela trilha sonora sem imaginar uma rua iluminada por neon, três heróis avançando contra uma multidão de inimigos e o Mega Drive fazendo aquilo que sabia fazer de melhor.

Fonte: Game On
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