Se você cresceu perdendo o sono com os primeiros Resident Evil e Silent Hill, Hollowbody foi feito sob medida para você. Após estrear no PC em 2025, o survival horror retrô da Headware Games finalmente desembarca nos consoles PlayStation e Xbox Series.
E a espera valeu a pena: esta versão definitiva traz todas as atualizações lançadas, incluindo uma nova câmera em terceira pessoa, um objetivo secundário inédito que aprofunda a trama e um terceiro final secreto para os jogadores mais dedicados.
Abaixo, o Terra Game On te conta se vale a pena encarar essa jornada sombria ou não.
Sobrevivendo aos escombros do futuro
A trama nos transporta para o ano de 2065, em um Reino Unido devastado por um desastre bioterrorista. No centro da história está Mica, uma jovem determinada a encontrar sua companheira desaparecida, Sasha. Para isso, ela precisa entrar na temida Zona de Exclusão, uma região isolada do restante do país por enormes muralhas e tomada pela degradação, pela violência e por criaturas hostis.
A jornada é marcada pela constante sensação de vulnerabilidade. Sem apoio externo e com recursos extremamente limitados, Mica precisa explorar ambientes abandonados, resolver quebra-cabeças, administrar cuidadosamente seu inventário e enfrentar ameaças que surgem a cada esquina.
Logo no início, o jogador pode optar entre a tradicional câmera fixa (bem mais tensa e cinematográfica) ou uma perspectiva mais moderna controlada pelos analógicos. A liberdade para alternar entre os dois estilos a qualquer momento é uma adição interessante, permitindo adaptar a experiência ao gosto de cada jogador sem comprometer a identidade do jogo.
Terror clássico sem concessões
O grande mérito de Hollowbody, assim como outros jogos recentes como Ground Zero e Tormented Souls II, está em compreender exatamente o que tornava os survival horrors clássicos tão memoráveis. Em vez de apostar em ação frenética ou sustos constantes, o jogo constrói tensão através da incerteza.
A câmera fixa limita a visão do cenário, os controles possuem uma leve rigidez proposital e o combate corpo a corpo é desconfortável por natureza. Tudo isso contribui para reforçar a sensação de perigo permanente, fazendo com que cada confronto pareça um risco real.
A exploração também segue a filosofia dos antigos mestres do gênero. O jogo evita indicar claramente o próximo objetivo, incentivando a observação do ambiente e a interpretação de documentos, gravações e pistas espalhadas pelos cenários. É uma experiência que exige atenção do jogador e recompensa aqueles que investigam cada detalhe.
Os quebra-cabeças merecem destaque especial. Alguns são relativamente simples, mas outros exigem uma análise cuidadosa de fotografias, anotações e elementos do cenário. Para os fãs de enigmas elaborados, é um prato cheio; para quem prefere uma progressão mais direta, alguns momentos podem parecer excessivamente obscuros.
Poucos inimigos, muita atmosfera
Como uma produção independente, Hollowbody possui uma escala significativamente menor que seus inspiradores. A campanha pode ser concluída em aproximadamente três a cinco horas, mas a curta duração não prejudica o resultado final.
Pelo contrário: o jogo utiliza seus ambientes de forma inteligente, extraindo o máximo de cada local visitado. Ao longo da aventura, Mica percorre apartamentos abandonados, ruas em ruínas, sistemas de esgoto e estações de metrô decadentes, cada um contribuindo para a construção de uma atmosfera melancólica e inquietante.
A principal limitação aparece na variedade de inimigos. Existem poucos tipos diferentes de criaturas, o que faz com que os confrontos se tornem repetitivos após algum tempo. Os cães selvagens, um velho conhecido dos fãs de survival horror, acabam sendo especialmente irritantes devido à sua agressividade constante.
Ainda assim, o gerenciamento de recursos ajuda a manter a tensão elevada. A munição é escassa e cada disparo desperdiçado pode fazer falta mais adiante, tornando as decisões de combate mais estratégicas.
Visual e som que respiram nostalgia
A direção artística abraça completamente a estética da era PlayStation 2. Texturas simples, iluminação atmosférica e cenários carregados de personalidade criam uma identidade visual que remete imediatamente aos clássicos do gênero.
A trilha sonora segue o mesmo caminho, alternando momentos de tensão silenciosa com composições melancólicas que reforçam o clima de isolamento. As dublagens em inglês britânico são convincentes e ajudam a dar credibilidade aos personagens.
Outro ponto positivo é a localização para o português brasileiro, presente em menus, legendas e textos. Entretanto, a tradução não é perfeita. Alguns trechos apresentam adaptações estranhas e erros que passam a impressão de terem sido revisados de forma superficial.
Considerações
Hollowbody não tenta reinventar o survival horror. Sua proposta é justamente revisitar uma fórmula que marcou época e reproduzir suas qualidades com respeito e competência. O resultado é uma aventura curta, mas memorável, que captura com precisão a atmosfera opressiva e o senso de descoberta dos clássicos que inspiraram sua criação.
Embora a variedade limitada de inimigos e alguns quebra-cabeças excessivamente enigmáticos possam frustrar parte do público, o jogo compensa essas falhas com uma ambientação extremamente bem construída e uma identidade visual que exala nostalgia. Para quem sente falta dos tempos áureos de Silent Hill e Resident Evil, Hollowbody surge como uma opção para relembrar os bons e velhos tempos.
Hollowbody está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Headware Games.