Atomic Heart passou os últimos três anos expandindo sua história através de DLCs que aprofundaram os mistérios do universo criado pela Mundfish. O que começou como uma jornada focada em P-3 e na instalação 3826 acabou crescendo para algo muito maior, envolvendo conspirações, inteligências artificiais e o destino de toda a humanidade.
Blood on Crystal chega com a responsabilidade de encerrar esse arco narrativo enquanto prepara o terreno para os próximos projetos do estúdio, incluindo a sequência principal da franquia. A expansão coloca os personagens diante de seus últimos desafios e tenta dar uma conclusão para eventos que vêm sendo construídos desde o lançamento do jogo original.
Acerto de contas no Complexo Cristal
Após a conclusão de Enchantment Under the Sea, P-3 e seu grupo formado pela Gêmea, Vô Zina, Caçador e até mesmo NORA partem para encerrar de vez a trama iniciada há três anos. Agora que sabem onde CHAR-les está escondido, eles seguem até o Complexo Cristal para finalmente colocar um fim aos seus planos e salvar a humanidade de um destino cruel que se aproxima sem que todos percebam.
Por se tratar de uma expansão que encerra essa história e, ao mesmo tempo, prepara o terreno para os próximos projetos da Mundfish, incluindo a sequência de Atomic Heart, o resultado é um desfecho sólido. Foi interessante ver o grupo de P-3 trabalhando junto, mas a DLC passa a sensação de que ainda não é exatamente um encerramento definitivo.
Ela começa muito bem com a sequência inicial ao lado da Gêmea, enfrentando um exército inteiro, mas depois disso, o caminho até o desfecho avança de forma mais lenta, com bastante investigação, momentos de plataforma e uma dinâmica de gato e rato que acaba reduzindo a sensação de grandiosidade esperada para a conclusão dessa história.
Como novidade para o arsenal de P-3, temos a lança Klusha, mais uma arma focada em combate corpo a corpo. Quem já jogou Atomic Heart sabe que esse tipo de armamento nunca foi exatamente o ponto forte do jogo por conta das animações e da falta de impacto dos golpes. A Klusha tenta amenizar esse problema permitindo que a arma seja arremessada e puxada de volta, funcionando muito bem contra grupos de inimigos mais fracos alinhados no cenário. É uma mecânica divertida de usar, mas não pode ser utilizada sem limites, já que consome a energia do ataque secundário e exige um tempo para recarga.
Desta vez, os módulos NACINC modificam a luva de polímero, permitindo trocar os elementos utilizados por ela. O recurso é usado principalmente na resolução dos quebra-cabeças espalhados pelas fases, que acabam sendo divertidos graças ao backtracking presente em vários momentos. Os confrontos também continuam bastante desafiadores por conta da escassez de munição e da resistência dos inimigos, principalmente os Polimorfos, que são extremamente rápidos e perigosos quando aparecem em grupo.
Mais uma vez a Mundfish faz um excelente trabalho nas batalhas contra chefes. Mesmo seguindo o modelo de arenas fechadas, os confrontos se destacam pela variedade de golpes dos inimigos e pela trilha sonora que acompanha cada encontro, mantendo o alto nível visto no jogo principal.
Em alguns momentos da expansão, encontrei problemas de sincronização na dublagem, principalmente durante trechos em que era necessário escolher opções de diálogo. Ao mesmo tempo, é impossível não elogiar a qualidade da localização brasileira, que mantém o excelente trabalho visto no lançamento original, especialmente graças à atuação de Raphael Rossatto como P-3.
Também existem algumas seções em que o gancho não funciona tão bem quanto deveria. O equipamento acaba servindo mais como uma ferramenta de impulso vertical ou de esquiva do que propriamente um recurso de movimentação precisa. Há um trecho específico em que P-3 fica à deriva na água e precisa usar o gancho para alcançar botes e boias, mas o controle limitado da direção torna muito difícil evitar as minas aquáticas espalhadas pelo caminho. Em vários momentos, acertá-las parece inevitável.
Jogando no PC, também foi possível notar algumas quedas de desempenho, principalmente durante cenas com chuva intensa e muitos inimigos simultaneamente na tela, mesmo utilizando DLSS e geração de quadros. Felizmente, são oscilações breves. Outro ponto que merece destaque é o visual da expansão. As expressões faciais dos personagens continuam excelentes, os modelos dos inimigos robóticos impressionam pela qualidade e, mesmo sem apresentar uma grande variedade de ambientes, os cenários seguem muito bonitos e convincentes.
Considerações
Blood on Crystal cumpre seu papel ao encerrar um dos principais arcos narrativos de Atomic Heart e deixar pistas claras sobre o futuro da franquia. Mesmo sem entregar a grandiosidade que muitos poderiam esperar para uma conclusão desse porte, a expansão mantém os pontos fortes da série, especialmente nos confrontos contra chefes, na direção artística e na ambientação.
Os problemas de ritmo, algumas limitações de jogabilidade e questões técnicas impedem que o DLC alcance voos maiores. Ainda assim, ela consegue oferecer um fechamento competente para a trajetória de P-3 e deixa a sensação de que o universo criado pela Mundfish ainda tem muito espaço para crescer nos próximos projetos.
Atomic Heart - Blood On Crystal está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Focus Entertainment.