Marcos Lamacchia se comprometeu a antecipar os pagamentos da Recuperação Judicial do Vasco para os próximos dois anos. A iniciativa busca aliviar a pressão no caixa da SAF após a Justiça travar um empréstimo DIP de até R$ 150 milhões. A proposta financeira está atrelada ao processo de venda da SAF, no qual a Almirante Participações, ligada ao empresário, atua como oferta inicial de referência (stalking horse) na disputa competitiva pela aquisição do controle do clube.
Marcos Lamacchia se comprometeu a garantir e antecipar os recursos necessários para o pagamento das obrigações da Recuperação Judicial do Vasco previstas para os próximos dois anos. Representantes do empresário apresentaram garantias para respaldar o compromisso durante uma reunião realizada na quinta-feira (20), em meio à preocupação do clube com a situação financeira da SAF.
O encontro contou com representantes do Vasco, da Administração Judicial, do watchdog, do gatekeeper e da Almirante Participações, empresa ligada a Lamacchia. Na pauta, estiveram a situação financeira da SAF, o novo financiamento DIP e o processo competitivo para a venda da UPI Equity. A informação é do portal Colina 1927.
Caso a antecipação avance, credores poderão receber antes valores que, pelo cronograma atual da Recuperação Judicial, seriam pagos somente ao longo dos próximos dois anos. Para o Vasco, a medida pode diminuir a pressão imediata sobre o caixa e, principalmente, oferecer maior segurança para o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano.
Empréstimo travado aumenta preocupação no Vasco
A movimentação ocorre em um momento de apreensão nos bastidores de São Januário. O Vasco argumenta na Justiça que os recursos disponíveis para a operação da SAF estão próximos do esgotamento.
Nesse cenário, o clube busca a liberação de um novo financiamento DIP de até R$ 150 milhões. O objetivo é utilizar os recursos para preservar as atividades da SAF enquanto o processo de venda da UPI Equity não é concluído.
No entanto, a decisão da juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, de travar a liberação do empréstimo surpreendeu internamente o Vasco.
A principal preocupação está relacionada justamente ao cumprimento dos compromissos da Recuperação Judicial. Sem a entrada do dinheiro, existe temor sobre a capacidade de honrar os vencimentos previstos no processo.
A possível antecipação dos pagamentos por Lamacchia surge, portanto, como uma alternativa para reforçar as garantias oferecidas aos credores. Ao mesmo tempo, permitiria ao clube buscar maior estabilidade financeira enquanto discute na Justiça a liberação do financiamento.
Movimento está ligado à possível venda da SAF
A iniciativa de Lamacchia também está diretamente relacionada ao processo de venda da SAF do Vasco. A Almirante Participações apresentou uma proposta vinculante para a aquisição da UPI Equity.
A oferta funcionará como stalking horse, mecanismo utilizado para estabelecer uma proposta inicial de referência em um processo competitivo. Assim, outros interessados poderão apresentar ofertas superiores posteriormente, de acordo com as regras estabelecidas para a alienação.
Dessa maneira, a proposta da Almirante não significa que a venda da SAF esteja concluída. Ela serve como ponto de partida para a disputa pelo ativo, enquanto eventuais concorrentes poderão superar as condições apresentadas.
Enquanto esse processo avança, o Vasco tenta solucionar uma necessidade mais imediata. Com o empréstimo DIP ainda travado judicialmente e o clube alegando que o caixa operacional está próximo do limite, a antecipação das obrigações da Recuperação Judicial por Lamacchia passa a representar uma possibilidade de reduzir a pressão financeira dos próximos meses.
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