O volante Damián Bobadilla, do São Paulo, fechou um acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para encerrar o processo por injúria racial com motivação xenofóbica. O atleta paraguaio aceitou cumprir uma série de medidas educativas após ser indiciado pela Polícia Civil. Entre as obrigações, o jogador fará um curso online sobre o tema e visitará o Museu da Imigração. Por isso, Bobadilla precisará gravar vídeos para comprovar o cumprimento das metas estabelecidas pelo promotor Danilo Goto.
O acordo também exige que o atleta utilize sua influência digital para combater o preconceito. Bobadilla deve publicar quatro postagens contra a xenofobia em suas redes sociais, sendo que o conteúdo precisa de aprovação prévia do Ministério Público. No dia 14 de março, o volante já realizou a primeira publicação com a mensagem:
"Ninguém é ilegal. Migrar é um direito humano".
Além disso, ele doará 100 kits de livros sobre migração, avaliados em R$ 61.400, para órgãos municipais de direitos humanos.
O caso ocorreu em maio de 2025, durante um confronto contra o Talleres pela Libertadores. Na ocasião, o venezuelano Miguel Navarro relatou que o são-paulino o chamou de "venezuelano morto de fome" durante uma discussão em campo. O episódio gerou revolta e fez a vítima chorar após a agressão verbal. Inegavelmente, os elementos colhidos pela delegacia especializada apontaram para a autoria da ofensa, mesmo com a defesa alegando que o jogador reagiu "no calor do jogo" a provocações prévias.
Conmebol e Justiça Paulista punem Bobadilla
Antes do desfecho no Ministério Público, a Conmebol já havia aplicado uma multa de 15 mil dólares (R$ 79 mil) ao jogador pelo incidente. O indiciamento pela Polícia Civil ocorreu em junho do ano passado, após depoimento de Bobadilla na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva. Agora, com a homologação do acordo no dia 10 de março, o processo segue para a fase de execução das medidas socioeducativas em solo paulista.
Dessa forma, o São Paulo monitora a situação de seu atleta enquanto ele cumpre as determinações judiciais. O clube já havia aplicado um "sermão" interno no jogador na época do ocorrido, reforçando a política de tolerância zero contra atos discriminatórios. Por outro lado, o cumprimento das doações e das postagens visa transformar o episódio negativo em uma oportunidade de conscientização para os torcedores e para o meio esportivo em geral.
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