Em carta, família de Eliza Samúdio cobra prisão de Bruno: "Mensagem perigosa à sociedade"

Familiares detalham descumprimentos por parte do ex-goleiro, foragido da Justiça, e lamentam por um "feminicida condenado desfilar impune"

18 mar 2026 - 09h36
(atualizado às 09h46)
Disque Denúncia divulga comunicado pedindo informações sobre o paradeiro do ex-goleiro —
Disque Denúncia divulga comunicado pedindo informações sobre o paradeiro do ex-goleiro —
Foto: Reprodução / Jogada10

A família de Eliza Samudio divulgou uma carta aberta em que cobra a prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes, considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro, e reúne episódios que evidenciam descumprimento das regras de seu livramento condicional. Assinado pela mãe da vítima, Sônia Fátima Moura, e pela madrinha de Bruninho, Maria do Carmo dos Santos, o texto organiza cobranças diretas às autoridades e expõe como a situação atual se consolidou.

O documento, enviado ao g1 nessa terça-feira (17), direciona pedidos objetivos à Vara de Execução Penal e solicita a investigação de viagens realizadas pelo ex-jogador. Além disso, as autoras cobram atuação mais rigorosa do Ministério Público diante do que classificam como descumprimento reiterado das exigências legais.

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"[…] Pedimos, ainda, que Bruno Fernandes seja responsabilizado criminalmente pela fuga e por cada violação cometida. E pedimos que o Estado brasileiro reconheça que, ao tratar um feminicida com tamanha leniência, envia uma mensagem perigosa à sociedade: a de que o crime compensa, a de que a vida de mulheres como Eliza não vale nada".

Bruno considerado foragido

A condição atual do ex-goleiro decorre de uma decisão da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro. Segundo o Tribunal, ele descumpriu medidas impostas para manter o livramento condicional. Levando, assim, à revogação do benefício e à expedição do mandado de prisão.

"[…] Não se apresentou diante da revogação. A defesa do goleiro entrou com recurso e a VEP encaminhou para manifestação do MP. Enquanto não houver outra decisão em relação à revogação do livramento condicional, o goleiro Bruno será considerado foragido".

O Disque Denúncia divulgou um comunicado pedindo informações sobre o paradeiro do ex-goleiro. O Tribunal de Justiça expediu o mandado de prisão no dia 5 de março, após a constatação de descumprimento das condições impostas.

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Até o momento, segundo a própria Justiça, ele não se apresentou para retornar ao regime semiaberto.

Bruninho concedeu entrevista recentemente sobre o ex-goleiro –
Foto: Reprodução/Record TV / Jogada10

Histórico de descumprimentos

O documento conecta decisão judicial a um histórico de irregularidades. Na carta, as autoras afirmam que o condenado a mais de 20 anos de prisão por feminicídio, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver não cumpre exigências do regime há anos.

A carta afirma que o ex-goleiro não cumpre obrigações básicas, como manter o endereço atualizado, desde 2023. Ainda segundo o documento, ele também não assina documentos periódicos — exigências para quem está em liberdade condicional.

Viagens de Bruno no centro da cobrança

O texto cita, ainda, os deslocamentos do ex-goleiro para Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, mesmo com restrições judiciais. Nesse contexto, as viagens ganham peso no argumento da família. O episódio mais recente ocorreu em fevereiro deste ano, quando o ex-goleiro assinou contrato profissional com o Vasco-AC e chegou, inclusive, a disputar jogo pela Copa do Brasil.

A carta menciona o episódio como um dos descumprimentos, visto que o ex-goleiro não obteve autorização judicial para tal. Vale frisar que Bruno estava impedido de deixar o estado do Rio de Janeiro, segundo medidas impostas pelo livramento condicional.

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O trecho descreve: "Apenas cinco dias após oficializar sua progressão de regime, ele viajou sem autorização judicial para o estado do Acre. Lá participou de uma partida de futebol pelo time Vasco-AC, no Campeonato Brasileiro. […]

A cena é estarrecedora: enquanto um feminicida condenado desfila impune, a mãe de sua vítima nunca pôde enterrar a filha. O filho órfão nunca teve acesso aos restos mortais da própria mãe".

Impacto contínuo sobre a família

A carta não se limita à cronologia dos fatos. Ela articula os episódios com o impacto direto sobre a família, que relata um cenário contínuo de dor, revolta e sensação de impunidade.

"Enquanto ele desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição, nós, familiares de Eliza, somos sistematicamente atacados. Somos cobrados, silenciados, invisibilizados. Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo. Sobreviver à dor sem reparação, à ausência sem justiça", dizia outro trecho.

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As autoras ainda citam a negativa de paternidade ao longo dos anos e afirmam que não há contribuição financeira para a criação do filho.

Apelo final: cumprimento integral da pena

Ao concluir, o documento organiza os pedidos e delimita o objetivo da cobrança. As autoras afirmam que não buscam vingança, mas o cumprimento integral da pena e a responsabilização por descumprimentos.

"Não pedimos vingança. Pedimos justiça, o cumprimento integral da lei. Solicitamos, portanto, que a Vara de Execução Penal investigue todas as viagens não autorizadas realizadas por Bruno Fernandes nos últimos anos. Pedimos que o Ministério Público atue com rigor diante do descumprimento reiterado das exigências da Lei de Execução Penal".

O caso segue sem a localização do corpo de Eliza Samúdio — um ponto que atravessa o documento e sustenta parte central da cobrança feita pela família.

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