Oito anos depois, o Panamá retona à Copa do Mundo em um cenário diferente da estreia. Se em 2018 tudo era novidade e motivo de festa, inclusive um gol perdendo de 6 a 0, agora a seleção tenta feitos maiores. Afinal, com a ausência de Estados Unidos e México das Eliminatórias e o momento ruim da Costa Rica, os Canalleros ocuparam o posto de protagonistas dentro da Concacaf.
O ciclo panamenho começou com empate com a Guatemala e derrota para a Argentina. Entretanto, a seleção já conseguiu o seu primeiro resultado de peso ao eliminar, em San José, a Costa Rica na Liga das Nações. Na semifinal, perdeu para o Canadá. Porém, no mês seguinte, fez uma grande campanha na Copa Ouro, passando pelos Ticos, Martinica e El Salvador na fase de grupos, goleando o Qatar nas quartas e eliminando os Estados Unidos, anfitriões do torneio, na semifinal. Entretanto, na decisão, derrota para o México com um gol sofrido nos minutos finais.
O resultado deixou grande expectativa para o futuro. Em uma nova edição da Liga das Nações, venceu três das quatro partidas da primeira fase e, nas quartas, eliminou mais uma vez a Costa Rica com um 6 a 1 no agregado. A classificação garantiu a vaga para a Copa América. Entretanto, mais uma semifinal, a seleção não passou da semfiinal, perdendo para o México.
Apesar da frustração pelo resultado, o Panamá se consolidava como uma potência da Concacaf no ciclo. Na estreia das Eliminatórias, bateu a Guiana e Montserrat. Na Copa América, estreou perdendo para o Uruguai, mas venceu os Estados Unidos e a Bolívia, garantindo uma classificação histórica. Nas quartas, acabou caindo para a Colômbia, mas isso não diminuía o feito dos Canalleros, que subiam no ranking da Fifa.
A evolução da seleção permitiu a classificação direta para as quartas de final da Liga das Nações. Neste período, o Panamá fez amistosos contra Estados Unidos e Canadá, perdendo ambos. Na sequência, encarou mais uma vez a Costa Rica pelo torneio continental e, novamente, se classificou, só que desta vez em um duelo mais apertado. Entretanto, nesta edição, os Canalleros enfim conseguiram avançar para a decisão, vencendo os Yankees com um gol nos acréscimos do segundo tempo. Porém, na final, um erro juvenil da defesa, nos minutos finais da partida, custou o título, que ficou com o México.
De volta às Eliminatórias, a seleção venceu Belize e Nicarágua e fechou com 100% de aproveitamento. Para a Copa Ouro, o Panamá chegava como um dos favoritos, e comprovou vencendo todos os jogos da fase de grupos, com direito a goleada para cima da Jamaica. Porém, a expectativa virou frustação logo nas quartas de final. Os Canalleros empataram com Honduras e perderam nos pênaltis, sendo eliminados de forma precoce.
A campanha ruim abalou o início da fase decisiva da qualificatória. Afinal, o Panamá ficou apenas no empate com Suriname e Guatemala nos primeiros jogos. Depois, venceu El Salvador, sem tanto brilho, e conseguiu um empate no último lance contra os surinameses, dentro de casa. A tranquilidade só veio na última janela. Em um dos jogos mais tensos das Eliminatórias, os Canalleros venceram os guatemaltecos por 3 a 2, na casa do adversário. A classificação veio na capital do país, em um triunfo por 3 a 0 contra os salvadorenhos.
Após garantir a vaga, a seleção já realizou quatro testes. Primeiro, empatou contra a Bolívia, depois perdeu para o México. Já na última Data Fifa, realizou dois amistosos contra a África do Sul, com empate no primeiro confronto e vitória por 2 a 1 no segundo. No momento, o Panamá ocupa a 32ª posição do ranking da Fifa.
O destaque
À medida que a seleção panamenha crescia no cenário internacional, seu principal nome também ganhava protagonismo. O meia Adalberto Carrasquilla é um dos principais responsáveis pela evolução dos Canalleros. Afinal, neste ciclo, o jogador conquistou a bola de ouro da Copa Ouro de 2023 e, na mesma temporada, foi eleito o melhor jogador da Concacaf.
Carrasquilla chama a atenção pela sua visão de jogo e criatividade, sempre conseguindo achar passes precisos, de forma rápida. Pela seleção, são 72 jogos, com três gols marcados e nove assistências, estando na pré-lista da Copa de 2018. O meia começou pelo Tauro, onde conquistou o título panamenho duas vezes. Depois teve uma passagem pelo Cartagena, da Espanha, e se transferiu para o Houston Dynamo. Atualmente defende o Pumas, do México. Inclusive, no começo de 2024, o Botafogo sondou a contratação do craque panamenho.
O comandante
Após a participação em 2018, a expectativa panamenha era de seguir a evolução. Por conta disso, a seleção apostou em Thomas Christiansen, dinamarquês com cidadania espanhola, para ser seu novo comandante, dois anos depois do torneio. Entretanto, a primeira missão não teve o resultado esperado. Os Canalleros caíram na fase de grupos da Copa Ouro e estavam próximos da vaga para a Copa, mas derreteram na reta final das Eliminatórias.
Apesar dos resultados adversos, a federação panamenha apostou na manutenção do trabalho de Christiansen e colheu os frutos. O técnico conseguiu levar a seleção para duas finais continentais, além de fazer uma campanha histórica na Copa Ouro, caindo nas graças dos torcedores. Mesmo com as dificuldades na reta final, o treinador conseguiu garantir o retorno à Copa.
Em sua carreira, Christiansen tem passagens pela área técnica do AEK Larnaca, Apoel, Leeds e Union Saint-Gilloise. Como jogador, atuou em diversos clubes do futebol espanhol, como Gijón, Osasuna e Villarreal, e encerrou a carreira no futebol alemão, defendendo o Bochum e o Hannover. Além disso, o então atacante chegou a ser convocado para a seleção da Espanha, no começo dos anos 90.
Campanha em Copas
A única participação do Panamá na Copa do Mundo aconteceu em 2018. Naquela ocasião, a seleção fez história deixando os Estados Unidos para trás nas Eliminatórias e provocando uma festa gigante no país. Na Rússia, a alegria continuou. Na estreia, os Canalleros perdiam de 6 a 0 para a Inglaterra, mas Felipe Baloy descontou, marcando o primeiro gol da seleção no torneio, com direito a muita comemoração, em campo e nas arquibancadas. Na sequência, derrotas de 3 a 0 para a Bélgica e de 2 a 1, de virada, para a Tunísia.
Em 2022, a seleção esteve próxima de retornar ao Mundial, mas acabou perdendo o fôlego nas últimas rodadas das Eliminatórias. Após passar boa parte da fase decisiva na quarta rodada, o Panamá teve uma queda de rendimento nas últimas janelas, vencendo um dos últimos quatro jogos e sendo ultrapassado pela Costa Rica, que disputou a repescagem.
Time-base
Mosquera; Harvey, Escobar e Andrade; Murillo, Godoy, Carrasquilla e Dávis; Díaz, Rodríguez e Waterman.
O país
O Panamá fica localizado em uma região estratégica, na divisa da América Central com a América do Sul. Por conta disso, possui o seu território o Canal do Panamá, que permite com que embarcações atravessem dos oceanos Atlântico para o Pacífico, e vice-versa, sem precisar contornar o continente sul-americano. Inclusive, a hidrovia é uma grande fonte de recursos para a economia panamenha.
O país possui uma área de 75.517 km², com uma população de 4.379.039 habitantes e José Raúl Mulino é o atual presidente. Sua capital é a Cidade do Panamá, que possui vários dos arranhas-céus mais altos da América Latina.
Celebridades
Assim como boa parte da América Central, o Panamá tem o baseball como seu principal esporte. Com vários jogadores que atuaram na liga norte-americana, um deles se destacou e virou uma lenda. Mariano Rivera é considerado o maior "closer" (arremessador que encerra os jogos) da história da MLB. Com a camisa do New York Yankees, o panamenho conquistou cinco vezes o título da World Series e foi eleito o melhor jogador da decisão em uma delas, em 1999. Inclusive, desde 2019, integra o hall da fama do baseball, sendo o primeiro a ser eleito por unanimidade.
Por outro lado, no boxe, o Panamá também possui a lenda Roberto Durán, que conquistou títulos mundiais em quatro categorias diferentes. Atualmente, o país tem grandes estrelas no mundo da música, como os cantores Sech e Boza, que fazem sucesso no cenário do reggaeton.
O que esperar do Panamá para a Copa
Ao contrário de 2018, os Canalleros não aparecem como meros participantes da Copa. Apesar de estarem em um grupo complicado, a expectativa é que os panamenhos deem trabalho para Inglaterra e Croácia, muito por conta da equipe encaixada que Thomas Christiansen conseguiu montar. Todavia, a estreia contra a Gana é um jogo chave, para saber se o Panamá trará a evolução que teve no ciclo para o torneio e se poderá sonhar com uma vaga entre os melhores terceiros colocados.
Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.